Aliás, por falar em comida, eu peguei muito amor em um programa da TV a cabo chamado 'Cupom Mania'. Pode rir, mas é ciência pura, não mania: o show fala de pessoas que são, nos EUA, conhecidas como 'couponers'. As cuponeiras (maioria esmagadora de mulheres) são aquelas que não apenas recortam vales-compra dos jornais e revistas, mas imprimem na internet, escrevem para empresas pedindo os bônus e, no ato de compras de uns US$ 1.000, pagam menos de 10% disso. Cidadã me mata saindo do mercado com seis carrinhos de compras tendo desembolsado 20 mangos. Eu confesso que ainda não entendi por que, diabos, elas precisam estocar tanto molho de churrasco, isotônico e papel-toalha, mas vá lá: são itens que não estragam logo e podem mesmo ser estocados. Dono da Casa abomina 'Cupom Mania' com cada célula do corpo orgulhoso dele, mas eu acho que comprar um monte de produto de limpeza e artigos de toilette e pagar um nada só usando pedacinhos de papel é muita esperteza. E me corroo por dentro pensando por que, ó vida, isso ainda não existe nesse Brasil de preços absurdos.
A TV anda mesmo me consumindo. Mas só a cabo. Se eu dependesse de televisão aberta eu já teria metido duas azeitonas na têmpora. A programação parece a mesma de 1978. Os programas de humor não me trazem um esboço de sorriso, só sobrancelhonas arqueadas em choque. Essas novelas pelas quais o povo se bate... sério, um festival de misoginia absurda e torturante. Silvio Santos está completamente gagá - e não de uma forma engraçada -, Luciano Huck só ganha mais e mais espaço e se eu ouvir a voz do Datena ou da Sônia Abrão por mais de 30 segundos minha língua enrola e eu estrebucho. Reclamam que a TV a cabo se repete muito e tem intervalos comerciais demais. Concordíssimo. Mas ainda prefiro rever 'A Lenda do Tesouro Perdido' e dizer junto cada fala do que entregar minh'alma pro Jornal Nacional.
Essa secura me obriga a ligar o umidificador às 9h e desligar somente às 21h. Não posso abrir as janelas, porque um pó negro quase ácido invade a casa e as narinas dos menores de 8 anos, causando um bafafá. A mistura de calorzinho com névoa úmida está me fazendo crer que eu moro na Serra do Mar. Tô só esperando a chegada dos Bandeirantes.
Viver cercada por duas menininhas doces e divertidas é tudo de melhor nessa existência. Mas como eu sinto falta de ter direito exclusivo ao banheiro... Ou eu estou no banheiro e ele é invadido por gente de cerca de 1 metro; ou eu já adentro o banheiro com elas no meu encalço, tomando a dianteira no espelho e espalhando livros pelo chão ou fazendo inventário do armarinho de cosméticos aos meus pés. Ao tomar banho, outro dia, pela enésima vez, o recinto foi violado - e vale avisar que o banheiro dá para a janela que dá para a rua que dá para outro prédio bem com as janelas sempre abertas. Se eu passar a cobrar dos vizinhos pelo peep-show, será que eu consigo comprar um banheiro só meu? Ou pelo menos uma tranca?
Essa vida de estar muito em casa está me deixando monotemática. Preciso urgente sair desse círculo antes que eu comece a colocar bobes no cabelos e cobrir com um lenço, debruçar nas janelas e chamar a vizinhança pra café com bolo. Trabalhar em casa é lindo, mas se aproxima o dia de voltar a ter emprego, hein.
Pela hora da morte, minina...




