quinta-feira, 17 de junho de 2010

Se quiser falar com Deus...

Enquanto toma banho, Sabrina viaja pensando na vida - e no plano espiritual, nas grandes questões, no regimento universal... Eu só acompanho. E tento ajudar.

- Mãe, quem inventou a luz?
- Aquela da lâmpada? Foi um moço muuuito genial chamado Thomas Edison, Sá.
- Isso você já me disse, mãe. Eu queria saber quem inventou a luz mesmo...
- A luz... a luz? Ô, filha, a luz... surgiu! É como perguntar quem inventou as montanhas, o mar... Foi o universo, tudo veio com a natureza.
- Eu acho que quem inventou a luz foi Deus.
- Ah, bom... É uma explicação também. Pode dizer assim, sim, que foi Deus.
- Porque ele mora lá no céu e pode fazer de tudo, porque é invisível!
- Bom, eu não acho que Deus é exatamente assim não, sabe. Acho que na verdade Deus vive dentro de cada um de nós, pra dizer pra gente o que é certo e o que é errado, pra nos ajudar e...
- ... e aí ele fica lá em cima, tomando conta de todo mundo que morre!...
- ... mas não sei se Deus é assim, um homem que...
- ... e aí ele pode fazer luz, sombra, as coisas!...
- Ai, Sabrina, assim é fogo, você não conversa, você só quer falar, filha! Esse papo já é complicado, e se a gente nem se escutar, né? Poxa... acabou a conversa, vai, se enxágua.
- Ah, não, mãe!! Desculpa, continua, vai! Olha: Deus aqui dentro de mim acabou de dizer 'escuta mais e fala menos!'. Viu?

Tem como não AMAR a sabedoria dessa criatura de Deus?

terça-feira, 15 de junho de 2010

Um pedaço de verde

Os primeiros escritores que falaram sobre esse tema, séculos atrás, chamavam a jardinagem de "terceira natureza humana". A primeira, eles definiram, seria a nossa vocação selvagem; a segunda, o cultivo agrícola. E em terceiro veio essa atividade que muitos julgam pura matada de tempo senil - mas que, na minha opinião, é de uma necessidade visceral pra boa saúde interior. Seja fazendo, seja só convivendo.

Fazer um jardim de fato, cultivar vasinhos, criar uma horta, eu confesso, não é uma coisa na qual eu me destaco muito. Pra dizer a verdade, já cheguei a cogitar se teria "o dedo podre". Seria o contrário do Tistu, aquele menino que tinha o dedo verde e, onde metia a santa mão, fazia nascer vida. Toda plantinha que eu decidia manter, morria uma morte agônica. Felizmente, pelo advento da insistência e da perseverança, eu acho que isso é passado.

Lá no sítio do meu pai, a coisa que mais gosto é de ajudar com os canteiros hortículas e ornamentais - divididos entre o Véio, que curte horrores prover a casa com suas ruas de alface, almeirão, berinjela, temperos etc., e a Véia, mestra na arte de fazer uma floreira vibrante e colorida. Só consigo é ajudar mesmo, não decidir por conta própria que mudas comprar ou onde plantar. Isso, acho, é capacidade que se adquire com muita leitura, experiência e tempo de vida. Eles sabem onde cada espécie se dará melhor, em que época, com qual terra e quantidade de água. Eu só faço o que me mandam.

Mas mesmo sem o dom nato, aprendi a apreciar. O Dono da Casa, doido das plantas, é objeto de admiração pra mim. O danado aprendeu tudo sobre bonsais - e pratica à beça o cuidado com essas arvorezinhas esquisitas e atrofiadinhas em estilo japonês. O sujeito é capaz de varar o mundo em busca do melhor regador, dos alicates certos e de uns arames muito loucos. É como um torturador insaciável! Eu admiro mesmo. Mas minha única função para com esse pessoal que dominou nossa sacada é a rega nos dias em que o Dono da Casa viaja. Confissão: mesmo com essa ínfima responsabilidade, me pelo de medo de matar as bichinhas por inanição ou afogamento.

Porque jardim precisa ser viçoso, né? Aqui no prédio, quando chegamos pra morar, me deprimia ver a suposta "área verde" da entrada tão abandonada. Era um terrão largado, cheio de ervas daninhas, folhas amontoadas e umas espadas de são-jorge que já não defendiam a honra de ninguém. Reformamos - e dali em diante o jardim virou um ponto de parada no quarteirão, com a pitangueira em profusão, o gramado esforçado e as rolinhas fazendo festa.

Impressionante como a alegria vem junto com uma mera área verde dessas. É parar num jardim - num parque, numa horta ou, que seja, do lado de uma samambaia - pra reparar nos detalhes e se encantar. Não é a toa que alguns dos lugares mais lindos que visitei tinham a ver com o verde. O jardim de Versailles; o jardim de Boboli; o Central Park; o Hyde Park; o Jardim Botânico de São Paulo, que graças aos céus fica aqui bem mais pertinho.

E pra se encantar nem precisa tanta milhagem, viu... Ter em casa um grupo de violetas em flor, uma carreira de ervas pra cozinhar ou um limoeiro plantado no vaso já dá uma alegria que só vendo. Cuidar todos os dias, além de tudo, traz uma deliciosa sensação de compromisso entre você e a coisinha enraizada.

E eu sei que praticar a jardinagem ou qualquer tipo de cultivo ficou registrado como atividade de velhinhas bem velhotinhas mesmo. Minha aposta? Que essas velhinhas só alcançam tamanha longevidade porque se dedicaram à uma atividade tão bonita e recompensadora. É arregaçar as mangas e viver pra sempre por meio do verde.


Bem aventurados os amigos do verde!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O bistrô da chef nervosa

Ainda jovenzinha, um dos sonhos que eu tinha era montar meu próprio restaurante. Queria ser dona de um "Chez-Qualquer-Coisa" bem aconchegante e puxado no molho francês - apesar de, naqueles tempos, nem saber diferenciar bem a manteiga da margarina. Infelizmente (ou felizmente?), nem cheguei a vivenciar esse boom dos cursos superiores de gastronomia que ocorre nos dias de hoje. Senão o mundo poderia ter ganho mesmo uma chef - talvez a chef mais pentelha desse mundo inteiro, porque meu restaurante teria regras, viu. Muitas regras.

Nos dias atuais, não sou dona do meu estabelecimento gastronômico. Mas isso não me impede de fincar pé sobre certas coisas a respeito da hora de servir as refeições. Por exemplo: aqui em casa todo mundo tem seus pratos preferidos, mas o cardápio do dia é único.

O que tiver para almoço ou jantar, é isso o que a rapaziada toda vai comer, sem mil opções a gosto do freguês. Aqui não tem esse negócio de um comer macarrão, outro comer salada, outro preferir sopa e assim, indefinidamente, adiante - com a mesa ficando repleta de travessinhas. Se o letreiro da mamãe disser que hoje tem arroz, feijão, legumes e bife, é isso o que constará no prato de todos. No máximo, me disponho a fritar um ovo de acompanhamento, vá...

Senão vira praça de alimentação, poxa vida. E fica daquele jeito, como já vi acontecer em certos restaurantes: a família toda no estabelecimento cuja especialidade é carne e a molecada lá, com as embalagens do Méquidonalds na fuça. No meu restaurante, essas famílias seriam convidadas a dar o fora bem loguinho. Vá ofender o cardápio de outro!

Também não faço muitas substituições, não. Não funciona comigo esse negócio de "ai, eu não como cebola... pode preparar o meu frango sem ela e também sem ervas, sem bacon, sem temperos e sem graça?". Posso moer muito bem a cebola até que ela vire pasta, mas vamos maneirando com as frescuras, sim?

Outra coisa que no meu restaurante não rolaria é o bom e velho nariz torcido - a mania de não experimentar coisas novas. Cliente (ou filha, ou marido) que nutre preconceitos sobre novos ingredientes e modos de preparo, comigo no comando, está bem perdido. E o que tem de mais em provar arroz integral no lugar do branco? Ou uma cevadinha? É gostoso, eu juro.

O meu restaurante talvez nem fosse em frente - ou talvez eu ficasse logo com a fama do "soup nazi", aquele de "Seinfeld", que se recusava a atender quem não obedecesse certas regras. Mas garanto que os habitués bem comportados, de mente aberta e paladar propício a uma farta gororoba, esses estariam sempre em casa. O pessoal daqui de casa está de prova.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Uma carta para outra garota

Querida Olívia,

Ah, é difícil, mas eu vou precisar ser muito sincera contigo, querida: quando você finalmente chegar aqui, tudo vai virar uma bagunça. Muita gente vai querer te ver, muita coisa ficará fora de lugar, terá muita roupa se acumulando na lavanderia... Sabe, é que a gente se acostumou a viver em três. Eu, o Dono da Casa e a Sabrina somos até que ordeiros - visto que eu sou meio chatinha e pego no pé deles - mas a sua chegada vai abalar um bocado a nossa rotina. Que delícia, eu mal posso esperar pra você zoar a nossa rotina!

E aqui é assim mesmo, você logo vai ver: um lugar legal, mas que pode virar uma baderna de hora para outra. A gente mantém tudo ajeitadinho, faz questão de uma boa limpeza e uma certa calmaria. Mas a gente sabe farrear. Se você topar a farra, já te adianto: toda sexta-feira é dia de pizza; todo fim de semana tem visita de família ou amigos (às vezes, ambos); rolam umas sessões de pintura a dedo durante a semana, umas sessões de culinária (ministradas pela professora Sabrina) nos sábados à tarde e umas sessões dominicais de lutinha corporal (cócegas desesperadoras, pra deixar claro). Você só participará se quiser, lógico. Ah, queira, vai?...

Bom, você também será convidada pras nossas viagens muito loucas da pesada - que acontecem muito mais "pra bem longe" do que "pra aqui pertinho". Te aviso, minha flor: a gente perde malas, a gente come coisas estranhas, a gente anda feito uns condenados e a gente gosta pacas de museu. Você gosta de museu? Eu sei que você só visitou um até hoje e nem pôde ver nada, mas... bom, nós te apresentaremos aos nossos favoritos.

Porque sabe, a gente aqui quer muito que você tenha as melhores experiências. Eu e o Dono da Casa não somos de ficar impondo nossas vontades, a gente gosta mesmo é de ter a participação de todos. Sabrina, por exemplo, já ajudou a decidir muitas coisas sobre a sua vinda. Ela resolveu que você pode ficar com todas as roupas e brinquedos “que não servirem mais”. Ela também acha bom que você durma com ela às vezes e quer te ensinar umas coisas sobre o A, B, C. Ah, e ela pediu se você pode ter olhos coloridos como os dela... Mas isso cabe só à você, a gente sabe.

O importante é queremos te ver muito feliz aqui, viu? Eu sei, o começo da nossa relação foi meio complicado... Aquele susto tão grande, aqueles dias no hospital, aqueles 50 dias na cama, sonhando com momentos melhores entre nós duas. Só quero que você tenha certeza é de uma coisinha: eu desejei demais a sua vinda. Eu já era muito feliz antes, mas eu sei que serei ainda mais contigo aqui. A gente vai se estranhar às vezes, bem possível. Mas vamos falar sobre isso, resolver e depois selar tudo com abraços e muitos beijos. Bom, com a Sabrina vem dando certo! E ela até parou de dizer que eu babo nela! Disse que posso babar em você agora... Então vai se preparando!

Enfim, faltam ainda uns meses para a sua chegada, mas eu quis te escrever já que era para ir preparando terreno, sabe? Afinal, o tempo passa rápido... Parece que foi ainda ontem que escrevi uma carta semelhante para a Sabrina, agora uma mocinha. A sua fica aqui registrada também, Olívia. Olívia... gostou do nome? Tem gente que torce o nariz, mas Olívia vem da oliveira, a minha árvore favorita. Além disso, é o nome de uma personagem que eu gosto muito – criada por um sujeitinho aí, William Shakespeare. Conhece? Vai conhecer! Eu vou te apresentar isso, aquilo e mais o mundo, minha filha. Venha logo, chegue bem, nós não podemos de alegria com a sua presença.

Um beijo de amor,

Mamãe


Tem gente já medindo seu narizinho, Olívia, mas saiba que ele caberá com perfeição na nossa família, viu?

terça-feira, 25 de maio de 2010

Eu não

Acontece que é assim: a gente passa a vida agindo de certas maneiras que, vez por outra, acabam formando uma fama. E quem faz a fama... vocês sabem. Só que antes de deitar nessa cama, só pra deixar claro...

... eu não resolvo tudo de imediato. Eu não posso com o peso de mundo nas costas. Eu não sou pau-pra-toda-obra. Eu não sou uma mãe imaculada, uma esposa perfeita ou uma filha exemplar. Eu não conheço todos os caminhos, eu não cozinho de tudo, eu não tenho todas as respostas. Eu também não sei onde tudo está guardado.

Eu não quero ouvir os problemas de todos. Eu não dou os melhores conselhos. Eu não aceito todas as brincadeiras, eu não tenho paciência infinita e eu não sou à prova de palavras duras. E eu não espero ninguém por mais de 20 minutos.

Eu não trabalho por amendoins, eu não faço tudo pra ontem, eu não gosto de gracinha pro meu lado. E eu não passo por cima de tudo por uma reportagem ilibada, mas eu também não faço nada "de qualquer jeito" e nem "do jeito que der".

Eu não sou amiga de fulano, sicrano e beltrano, todos ao mesmo tempo, pra sempre e até no plano virtual. Eu não dou carona pra qualquer um, eu não vou na casa de qualquer um e eu não faço brindes com qualquer um.

Eu não tenho todo o tempo do mundo. Eu não desculpo qualquer coisa. Eu não sirvo bem para servir sempre e eu não dou aos pobres pensando em emprestar pra Deus. Eu não dou a outra face, eu não aceito que o mundo é dos espertos e eu não concordo que o cliente tem sempre razão.

Enfim, eu até criei essas famas de durona, de independente, de ser rápida, sincera e engraçada. Mas eu não sou só isso, não. Tudo bem? Ou não?

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Dessas esquisitices senis

Aí a gente lembra que criança tem muita mania, mas que isso não é nada comparado aos velhinhos. Vovôs e vovós, minha nossa, tiveram uma vida inteira pra amealhar suas esquisitices - as mais piradas esquisitices, claro.

Minha saudosa Vó Ondina tinha uma seleção delas, aquela maluca. Primeiro que ela jamais usou calças. Isso aí: ela dizia que não ficava bem uma senhora de cabelo branco usar calças. Minha vó não conheceu Coco Chanel, por certo... Aliás, minha vó morreu sem acreditar que o homem foi mesmo à Lua, que dirá conhecer os conceitos da revolucionária estilista!

Vó Ondina sempre tomava o suco de um limão espremido antes de dormir (talvez daí ter vivido até os quase 90 anos). E como dormia cedo... Acabava o Jornal Nacional, ela se recolhia. Não curtia novela das 20h, só das 18h e das 19h - e sempre xingando alto os vilões folhetinescos com palavras as mais engraçadas, como "miserento!".

Velhinhos e velhinhas são assim, encaram bem ressabiados as coisas que lhe fogem do conhecimento. As "coisas modernas", vá - mesmo que por "moderno" entenda-se um telefone. Pois minha amiga Vivi sempre me matou de rir com as histórias de sua adorável vovó. Depois das 16h, bastava tocar o telefone pra Vó soltar seu batido "ai, meu Deus, quem será uma hora dessas?". Bom, podia ser... QUALQUER UM? 16h, Vó!

Obviamente, eu adotei o bordão da velhinha imediatamente. O pessoal aqui já nem se espanta quando, segunda-feira ao meio-dia, lá estou eu apanhando o telefone e dizendo "ai, meu Deus, quem será uma hora dessas?". Tão divertido! Manias de velhinho não são, como muitos pensam, essas esquisitices chatas de quem perdeu lugar no tempo. Muitas vezes a gente age assim, como se eles já tivessem dobrado o cabo da sanidade, e os trata como pirados. Mas eles estão ligados... pelo menos quando importa.

Ontem mesmo eu soube da coisa mais incrível dos últimos tempos. Meu pai foi visitar sua fofa mãe, Vó Emília. Vó Emília está lá, firmona, mesmo com a voz e a memória meio zoadinhas por causa de um derrame. Mas do que ela quer lembrar, lembra muito bem.

Meu pai em visita, ela foi ao quarto, abriu o guarda-roupas secular, tirou uma caixa. De dentro, apanhou o conteúdo, veio à sala e depositou tudo nas mãos em concha do meu pai. Bolinhas de gude. Um punhado gordo de bolinhas de gude. E quando ele disse "que é isso, Mãe?", ela explicou: "ah, é que eu tomei de você quando você era moleque. Tinha feito uma malcriação. Agora pode levar de volta".

Sim, minha Vó Emília guardou as bolinhas confiscadas por 60 anos. Mas lembrou de devolver. Justiça, ainda que tardia, é a mais incrível das esquisitices de velhinhos, não?

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Dessas esquisitices mirins

Quando eu era pequena, tinha muitas, muitas... vamos chamar de "peculiaridades", vai. A primeira de todas, que me lembre, foi trocar meu próprio nome.

É isso aí: pro público em geral, eu jamais me apresentava com o nome de Flávia. Flávia, pra mim, não era ninguém. Meus pais não sabem explicar bem - e eu menos ainda, juro - mas sempre que perguntavam meu nome, eu dizia que me chamava Chica. Chica, assim mesmo, como um apelidinho para Francisca.

Segundo consta, eu só atendia por Chica e Chica apenas. Ficou bem estranho explicar isso entre parentes e amigos - até que eu ganhei uma boneca de pano fofinha e adorável e coloquei nela o nome de Cezona. Daí acho que as pessoas ao redor entregaram pra deus e apenas assumiram que eu tinha gosto pra nomes absurdos.

A próxima esquisitice que lembro de desenvolver, aos 6 anos, foi o hábito de assistir "Comando da Madrugada" todo domingo às 7h da manhã. Acordava e não, não ia pra cama da mamãe ganhar cafuné: ia assistir às reportagens reprisadas do Goulart de Andrade.

Depois disso eu tomei gosto por comer Cremogema, depois disso eu me tornei uma desenhista compulsiva de plantas de apartamento e depois disso eu só quis usar kichute (até pra ir em casamentos e missas em geral). Tudo antes dos oito anos.

Felizmente nada disso me levou ao consultório do psicanalista. Porque é bem fácil saber que não foi um privilégio meu ter toda uma gama de esquisitices de infância. Todo mundo as tem, eu acho. Minha irmã, de pequena, tinha um amigo invisível chamado Relno. Meu irmão, menininho, colocava o nome de Dursley em to-dos os bonecos que possuía.

A filhinha de um amigo cismou que, quando crescer, quer ser dançarina de axé (quase enfartando seu intelectualíssimo pai). Minha sobrinha Isabella, de pequenina, só disse uma única palavra por dois anos: "não". Sabrina é viciada em ouvir "Paparazzi", da Lady Gaga, e o Dono da Casa, enquanto criancinha, só queria ter como bichos de estimação escorpiões, cobras, ratos e uns répteis de aparência nauseante.

Sei lá se é uma hora de descobertas e testes de personalidade os mais variados. Só sei que criança saudável é cheia de manias. Agora deixa de ser esquisito e conta as suas também? A Chica jura que não vai rir...