Generosidade é a virtude de quem é nobre, de quem tem grandeza de alma e dá sem pestanejar, sem medir esforço, sem esperar retorno. Ser generoso é do caralho, né?
É uma das qualidades que eu mais admiro, junto com a gentileza. E admiro principalmente quando é uma generosidadinha assim pequenininha, que ninguém em volta percebe direito. Só quem recebeu a generosidade - e, mesmo assim, às vezes nem esses.
Gosto daquele ato de fazer um bem por pura... pura generosidade mesmo! Daquele que pega o bife menor pra que o outro coma o maior; daquele que assiste um programa de TV estúpido só pra agradar o parceiro; daquele que cuida da criança e depois diz "magina, fez bagunça nenhuma, foi ótimo!" (mesmo a gente sabendo que o moleque tocou o puteiro máximo a ponto de escalar as cortinas até o varão).
Generosidade bobinha me cativa. As grandes também, claro - quem não vai achar bonito o milionário doar uma grana preta pra instituição que cuida de gente doente? É lindo e ótimo. Mas é que nem todo mundo pode com uma generosidade dessas, sabe-se disso. Nem todo mundo pode repartir seu jatinho. Por isso que repartir o pãozinho já é de uma nobreza deliciosa.
E o legal da generosidade é que parece que ela tem tudo a ver com dinheiro, mas não tem nada. Pode ter, mas não necessariamente. Acho lindíssimo, por exemplo, ver alguém gastar seu tempo precioso em prol do outro. Quem tem tempo hoje em dia? Ele vale ouro! E daí um amigo para tudo o que está fazendo pra ajudar o outro a pintar a parede no sábado às 8h; ou sai do trabalho mais cedo pra salvar o jumento que não revisou o carro e está parado na Marginal; ou vara a noite em claro cuidando do cachorro alheio que só uiva de saudade. E nem reclama!
Generosidade assim, aquela real de quem não quer paga, é coisa de gente nobre mesmo. Não de quem tem o título, o poder, a bufunfa ou o sangue azul da cor do céu. É nobreza de caráter, de saber que cada um de nós é só uma engrenagem bestinha nessa máquina e que, porra, nossas ações se completam. Não?
Se eu pudesse querer algo pro mundo hoje, ia querer mais gente generosa nascendo. Porque poucas coisas são mais do caralho que a generosidade.
segunda-feira, 14 de março de 2011
quinta-feira, 10 de março de 2011
O que anda rolando, hein?
Daí a gente faz um blog pra falar da vida, né. Pra falar da vida, mas mais precisamente pra falar o que se pensa da vida e o que se anda fazendo dela. Bom, eu sempre pensei que blog era assim, mais pra filosofar e tirar a coisa da cabeça e jogar na rede e ver se os outros pensam nisso também - e não pra dizer o que eu comi no café da manhã, como um pessoal fazia lá no início dos blogs, em... em outra era.
O diabo é que, quando a cabeça está à mil ou a zero, blog não anda. Não adianta. E que saco é entrar na tal página do tal fulano e ler lá, vez na vida, vez na morte, o post do famigerado "ai, gente, desculpa o sumiço, ando ocupadíííssimo...". Pode ser que sim mesmo. Ou pode ser falta de assunto. Ué, nem sempre se pode ser Deus e ter tanto assim pra dizer!
Eu, por exemplo, fiquei sem ter o que dizer. Nem tive vontade de contar, por exemplo, dos quatro dias de internação hospitalar da Sabrina. Nessas horas a gente fica tão chocada, frustrada, triste e sem alma que vai escrever o quê?
Poxa, mas ela sarou e eu também não contei sobre isso - sobre como voltou a ser a Sasá de sempre, aquela que bate um prato de feijoada, repete e ainda pergunta se tem um docinho pra sobremesa.
Ah! Também teve a novidade da minha mãe. A santa, às 72 primaveras, vai pra Machu Picchu. Será daqui dois meses - e eu bem que quis fazer uns textos sobre como abomino excursões, sobre o Peru em si, sobre gastar bem a aposentadoria... Não fiz. Hora dessas, quem sabe.
Opa, e teve também o dia em que eu cortei o cabelo. Não contei que cortei o cabelo, né? Cortei curto, uns 12 dedos de juba tosada. Eu ia escrever sobre esse povo que cultiva cabelo como se fosse açafrão raro, e não célula morta que vai crescer tudo de novo, mas... bom, também ficar fazendo blog só pra avacalhar que é apegado no cabelo, aí não.
Falei que o Dono da Casa viajou por nada menos que 10 dias? Desde que eu o conheço, foi o maior período que ficamos separados. Ou quase. Ia fazer um texto sobre quando o conheci e ele viajou para um tour de reportagens que durou 42 dias e a gente paquerava no telefone. Era pra ser mesmo, viu, esse casamento... Porque só Penélope (aquela do Ulisses, a tricoteira) pra esperar tanto. Não escrevi porque, bem, fico meio avexada de declarar assim aos quatro ventos o quanto meu marido é bacana, divertido, gente fina e como é dureza ficar longe dele e das manias insuportáveis dele.
Também não falei que a Olívia já conta quase 6 meses, 7,650 kg e uma vida de sem-vergonhice. A sapeca vai entrar amanhã na papa de legumes, contei isso? Não?! Pois vai. Depois teço um longo texto sobre como a gente vai piscando e essa molecada vai passando do leite pra papa, da papa pro berçário, do berçário pras festas do pijama, das festas do pijama pros namorados... Eu mando parar de crescer aos berros, mas essas piolhentinhas nunca obedecem!
Tinha o que falar do futuro, sim, porque ando inventando umas modas aí que, se derem certo, ui, vão render muitos e muitos e muitos textos! Adoro essas perspectivas - mas, ai, melhor falar quando acontecerem mesmo, que senão pode zicar. Ô, um texto sobre zica é legal, não é? Zica na pauta - na pauta do futuro.
De fato, ocorreu nada muito importante pra contar. Eram só essas coisas minhas, que todo mundo passa e ninguém vai se interessar a valer. Eram só acontecimentos de dia-a-dia e nada que fosse mudar a vida de ninguém. Só a minha, claro. Vai ver blog a gente faz é pra gente mesmo, né? E quem quiser vem saber! Bom assim.
O diabo é que, quando a cabeça está à mil ou a zero, blog não anda. Não adianta. E que saco é entrar na tal página do tal fulano e ler lá, vez na vida, vez na morte, o post do famigerado "ai, gente, desculpa o sumiço, ando ocupadíííssimo...". Pode ser que sim mesmo. Ou pode ser falta de assunto. Ué, nem sempre se pode ser Deus e ter tanto assim pra dizer!
Eu, por exemplo, fiquei sem ter o que dizer. Nem tive vontade de contar, por exemplo, dos quatro dias de internação hospitalar da Sabrina. Nessas horas a gente fica tão chocada, frustrada, triste e sem alma que vai escrever o quê?
Poxa, mas ela sarou e eu também não contei sobre isso - sobre como voltou a ser a Sasá de sempre, aquela que bate um prato de feijoada, repete e ainda pergunta se tem um docinho pra sobremesa.
Ah! Também teve a novidade da minha mãe. A santa, às 72 primaveras, vai pra Machu Picchu. Será daqui dois meses - e eu bem que quis fazer uns textos sobre como abomino excursões, sobre o Peru em si, sobre gastar bem a aposentadoria... Não fiz. Hora dessas, quem sabe.
Opa, e teve também o dia em que eu cortei o cabelo. Não contei que cortei o cabelo, né? Cortei curto, uns 12 dedos de juba tosada. Eu ia escrever sobre esse povo que cultiva cabelo como se fosse açafrão raro, e não célula morta que vai crescer tudo de novo, mas... bom, também ficar fazendo blog só pra avacalhar que é apegado no cabelo, aí não.
Falei que o Dono da Casa viajou por nada menos que 10 dias? Desde que eu o conheço, foi o maior período que ficamos separados. Ou quase. Ia fazer um texto sobre quando o conheci e ele viajou para um tour de reportagens que durou 42 dias e a gente paquerava no telefone. Era pra ser mesmo, viu, esse casamento... Porque só Penélope (aquela do Ulisses, a tricoteira) pra esperar tanto. Não escrevi porque, bem, fico meio avexada de declarar assim aos quatro ventos o quanto meu marido é bacana, divertido, gente fina e como é dureza ficar longe dele e das manias insuportáveis dele.
Também não falei que a Olívia já conta quase 6 meses, 7,650 kg e uma vida de sem-vergonhice. A sapeca vai entrar amanhã na papa de legumes, contei isso? Não?! Pois vai. Depois teço um longo texto sobre como a gente vai piscando e essa molecada vai passando do leite pra papa, da papa pro berçário, do berçário pras festas do pijama, das festas do pijama pros namorados... Eu mando parar de crescer aos berros, mas essas piolhentinhas nunca obedecem!
Tinha o que falar do futuro, sim, porque ando inventando umas modas aí que, se derem certo, ui, vão render muitos e muitos e muitos textos! Adoro essas perspectivas - mas, ai, melhor falar quando acontecerem mesmo, que senão pode zicar. Ô, um texto sobre zica é legal, não é? Zica na pauta - na pauta do futuro.
De fato, ocorreu nada muito importante pra contar. Eram só essas coisas minhas, que todo mundo passa e ninguém vai se interessar a valer. Eram só acontecimentos de dia-a-dia e nada que fosse mudar a vida de ninguém. Só a minha, claro. Vai ver blog a gente faz é pra gente mesmo, né? E quem quiser vem saber! Bom assim.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Bocaditos
Tendo sempre muitas crianças em minha volta - e tendo sido uma criança, ué - posso dizer com certeza que uma das coisas que elas mais gostam é se espalhar na cozinha. Não tem nada mais divertido que mexer em ingredientes de verdade (principalmente os melequentos) e, literalmente, botar a mão na massa. Na massa de bolo, de preferência. Porque 9 entre 10 vezes que um baixote pede pra brincar de chef, ele quer é fazer bolo.
Sabrina, por exemplo, é ás na produção deles à essa altura. Tem até seu próprio arsenal - e cuida muito bem de seus mini-batedores, mini-forminhas, mini-espátulas e daquele avental enorme. Falou em fazer bolo, ela larga até o Peixonauta falando sozinho.
Criança adora mesmo o feitio de guloseimas - e, oras, quem vai culpá-los, afinal é uma brincadeira que envolve bagunça, sujeira, barulho de aparatos elétricos cortantes e forno quente. E depois ainda dá pra comer a brincadeira! Eu aprendi com eles a me divertir não só com o resultado, mas com o processo. E olha que eu tenho uma mão podre pra bolo.
A maioria sempre saiu meio esquisita, meio soladinha, meio sapecada, meio torta... Mas o sabor sempre foi aceitável. Pra evitar o desapontamento, aprendi também a seguir receita militarmente. Não aumento ou diminuo nada em meia grama, não substituo, não invento. Se a receita dá certo, na próxima vez faço de modo mais CDF ainda, pra não errar. E não erro mais. Tanto.
A única coisa que me permiti arriscar foi trocar as formas. Há algum tempo, faço as massas de bolo e, pra divertir a molecadinha, em vez de colocar todo o grude em uma aborrecida forma circular ou quadradona, separo em porções. Em bolinhos. Muffins, como eles dizem lá. Cupcakes eu não diria, que daí precisaria confeitar coloridamente e... bom, eu costumo achar toda cobertura de cupcake uma bela droga.
Uso a forma de muffins em lugar da padrão e nada sai errado. Muito pelo contrário. Descobri que assim, além de ficar tudo mais bonitinhos e encantar a petizada, ainda inibe a glutonice. Sim, porque, de faca em punho, eu sou capaz de destruir meio bolo em um chá da tarde. Com o bolinho avulso, um me basta. Não que estejam aqui vigiando quanto eu como, porque nem eu mesma vigio. Mas um basta mesmo. Pelo menos até o próximo café.
Se dia desses quiser testar seus habilidades e promover um salto de empatia com a criançada, garanto que a maioria das receitas permite a troca da forma grande pelas pequeninas. E eis abaixo uma sugestão de bolo. Normalmente a massa, depois de misturada, deve ir em uma forma tipo americana, aquela retangular típica de pão de forma. Mas, separados em bocaditos, as horas de alegria e deliciamento se perpetuam. Tenta aí:
Bolo de Limão com Papoula
Ingredientes: 2 xícaras de farinha peneirada; 1 xícara de açúcar; 1 colher (chá) de fermento em pó; 1 pitada de sal; 1/4 de xícara de leite; 4 ovos; 1 colher (chá) de essência de baunilha; 200 g de manteiga; 1/3 de xícara de sementes de papoula; 1 colher (sopa) de casca de limão ralada.
Ingredientes da calda: 1/2 xícara de açúcar; 1/3 de xícara de suco de limão.
Preparo: Em uma tigela grande, misture a farinha, o açúcar, o fermento e o sal. Reserve. Na batedeira, bata rapidamente o leite, os ovos e a baunilha. Acrescente a manteiga em temperatura ambiente e os ingredientes secos aos poucos batendo até misturar bem. Acrescente as sementes de papoula e as cascas de limão, mexa mais um pouco e coloque nas forminhas (de preferência, já forradas com forminhas de papel; senão, deve-se untar com manteiga). Leve para assar em forno moderado (180oC) por cerca de 25 minutos. Misture os ingredientes da calda em uma panela e leve ao fogo baixo, mexendo somente até derreter o açúcar. Quando retirar os bolinhos do forno, pincele a superfície com a calda. Deixe amornar e sirva. Rende cerca de 14 muffins.
Um P.S. meio longo: encontrar as sementes de papoula está muito difícil hoje em dia. E o motivo não podia ser mais estúpido. A fiscalização brasileira não permite mais a importação do produto alegando que ela poderia ser usada como alucinógeno. Non sense: as sementes culinárias não são germinadas e por isso jamais poderiam dar vida a uma plantação de ópio-que-passarinho-não-bebe. Sem elas o bolo ainda fica bem gostoso, mas sem o "twist". Agradeça à cretinice da vigilância nacional.

Esses são os primos de mirtilo. Um dia posto a receita desse - que a Sabrina adora porque o mirtilo estoura no cozimento e "fica uma melequinha gostosa"
Sabrina, por exemplo, é ás na produção deles à essa altura. Tem até seu próprio arsenal - e cuida muito bem de seus mini-batedores, mini-forminhas, mini-espátulas e daquele avental enorme. Falou em fazer bolo, ela larga até o Peixonauta falando sozinho.
Criança adora mesmo o feitio de guloseimas - e, oras, quem vai culpá-los, afinal é uma brincadeira que envolve bagunça, sujeira, barulho de aparatos elétricos cortantes e forno quente. E depois ainda dá pra comer a brincadeira! Eu aprendi com eles a me divertir não só com o resultado, mas com o processo. E olha que eu tenho uma mão podre pra bolo.
A maioria sempre saiu meio esquisita, meio soladinha, meio sapecada, meio torta... Mas o sabor sempre foi aceitável. Pra evitar o desapontamento, aprendi também a seguir receita militarmente. Não aumento ou diminuo nada em meia grama, não substituo, não invento. Se a receita dá certo, na próxima vez faço de modo mais CDF ainda, pra não errar. E não erro mais. Tanto.
A única coisa que me permiti arriscar foi trocar as formas. Há algum tempo, faço as massas de bolo e, pra divertir a molecadinha, em vez de colocar todo o grude em uma aborrecida forma circular ou quadradona, separo em porções. Em bolinhos. Muffins, como eles dizem lá. Cupcakes eu não diria, que daí precisaria confeitar coloridamente e... bom, eu costumo achar toda cobertura de cupcake uma bela droga.
Uso a forma de muffins em lugar da padrão e nada sai errado. Muito pelo contrário. Descobri que assim, além de ficar tudo mais bonitinhos e encantar a petizada, ainda inibe a glutonice. Sim, porque, de faca em punho, eu sou capaz de destruir meio bolo em um chá da tarde. Com o bolinho avulso, um me basta. Não que estejam aqui vigiando quanto eu como, porque nem eu mesma vigio. Mas um basta mesmo. Pelo menos até o próximo café.
Se dia desses quiser testar seus habilidades e promover um salto de empatia com a criançada, garanto que a maioria das receitas permite a troca da forma grande pelas pequeninas. E eis abaixo uma sugestão de bolo. Normalmente a massa, depois de misturada, deve ir em uma forma tipo americana, aquela retangular típica de pão de forma. Mas, separados em bocaditos, as horas de alegria e deliciamento se perpetuam. Tenta aí:
Bolo de Limão com Papoula
Ingredientes: 2 xícaras de farinha peneirada; 1 xícara de açúcar; 1 colher (chá) de fermento em pó; 1 pitada de sal; 1/4 de xícara de leite; 4 ovos; 1 colher (chá) de essência de baunilha; 200 g de manteiga; 1/3 de xícara de sementes de papoula; 1 colher (sopa) de casca de limão ralada.
Ingredientes da calda: 1/2 xícara de açúcar; 1/3 de xícara de suco de limão.
Preparo: Em uma tigela grande, misture a farinha, o açúcar, o fermento e o sal. Reserve. Na batedeira, bata rapidamente o leite, os ovos e a baunilha. Acrescente a manteiga em temperatura ambiente e os ingredientes secos aos poucos batendo até misturar bem. Acrescente as sementes de papoula e as cascas de limão, mexa mais um pouco e coloque nas forminhas (de preferência, já forradas com forminhas de papel; senão, deve-se untar com manteiga). Leve para assar em forno moderado (180oC) por cerca de 25 minutos. Misture os ingredientes da calda em uma panela e leve ao fogo baixo, mexendo somente até derreter o açúcar. Quando retirar os bolinhos do forno, pincele a superfície com a calda. Deixe amornar e sirva. Rende cerca de 14 muffins.
Um P.S. meio longo: encontrar as sementes de papoula está muito difícil hoje em dia. E o motivo não podia ser mais estúpido. A fiscalização brasileira não permite mais a importação do produto alegando que ela poderia ser usada como alucinógeno. Non sense: as sementes culinárias não são germinadas e por isso jamais poderiam dar vida a uma plantação de ópio-que-passarinho-não-bebe. Sem elas o bolo ainda fica bem gostoso, mas sem o "twist". Agradeça à cretinice da vigilância nacional.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Que a Força esteja com a mãe dele
Meu video preferido dos últimos tempos, ainda que seja uma propaganda de automóveis - porque, falar pra vocês, eu sou dessas que caem em QUALQUER gracinha marketeira feita com crianças humanas e filhotes de animais. Ainda mais quando mistura isso com Lord Vader. Coisa de gênio (e gênio com filhos, provavelmente).
domingo, 13 de fevereiro de 2011
O que ela faria?
Amargando um belo período de repouso pós-doença, Sabrina tem tempo pra sentar do lado, ver filme, descansar. E papear, coisa que eu mais adoro. Anteontem, por exemplo, nos fartamos de rir com "Esqueceram de Mim" no DVD com suco e pipocas. Daí, né, vem a prosa:
- Sá, o que você faria se ficasse que nem o Kevin, sozinha em casa?
- Eu teria um trabalhão pra cuidar da Olívia...
- Não, Sá, sem a Olívia. Se a mamãe e o papai saíssem com a Olívia e te esquecessem aqui, que nem no filme?
- Bom... eu ia ver TV, pular na sua cama e... comer salgadinho!
- Sei, sei. E ia viver de salgadinho tanto tempo?
- Não... Eu também podia ir na geladeira e descongelar um ovo frito pra comer! E se passasse muito tempo, eu podia ligar pra vovó pra ela vir me salvar. Ou sair e ir na casa da Marina (amiga e vizinha de prédio). Aí eu esperava lá até vocês dois finalmente lembrarem que me esqueceram aqui.
Como se vê, o plano está todo traçado. Como será o "descongelamento de um ovo frito" eu desconheço. Mas "Sabrina Alone" daria um filme e tanto, certeza.
- Sá, o que você faria se ficasse que nem o Kevin, sozinha em casa?
- Eu teria um trabalhão pra cuidar da Olívia...
- Não, Sá, sem a Olívia. Se a mamãe e o papai saíssem com a Olívia e te esquecessem aqui, que nem no filme?
- Bom... eu ia ver TV, pular na sua cama e... comer salgadinho!
- Sei, sei. E ia viver de salgadinho tanto tempo?
- Não... Eu também podia ir na geladeira e descongelar um ovo frito pra comer! E se passasse muito tempo, eu podia ligar pra vovó pra ela vir me salvar. Ou sair e ir na casa da Marina (amiga e vizinha de prédio). Aí eu esperava lá até vocês dois finalmente lembrarem que me esqueceram aqui.
Como se vê, o plano está todo traçado. Como será o "descongelamento de um ovo frito" eu desconheço. Mas "Sabrina Alone" daria um filme e tanto, certeza.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
O fino véu entre céticos e crentes
De nariz empinado, eu sempre me disse a maior ceticona. É sério e rijo: eu não acredito em reencarnação, eu não acredito em ETs, eu não acredito em visitas de almas do além, eu não acredito em duentes. Eu não acredito no monstro de Lock Ness, mas bem que eu queria que fosse verdade. E eu queria acreditar em fadas porque, óim, são tãão bonitinhas! Mas só acredito nas fadinhas da Disney mesmo. Só que daí, né... bom, o ceticismo, eu acho, sempre resvala em alguma parede, em algum momento, pra todo mundo.
Demorou, mas eu descobri o meu momento. E quando ele acontece, eu me pego acendendo vela, caindo de joelhos, chorando e soluçando e pedindo à Maria, a mãe de todas, que zele por nós, por favor, por favorzinho! Faço qualquer negócio.
Esse meu momento é quando minhas filhas adoecem. Tenho tanto medo de perder essas meninas pra uma doença grave que, a um sinal de febre, começam os tremeliques. Fico nervosa. Fico arfando. Fico atazanada e perco a noção. Não deixo de me recompor, porque afinal elas precisam é de um adulto de cérebro operante, não de uma louca em pânico, mas fico assim, baratinada. E aí eu me pego com... com... com "um outro lado", vamos dizer assim.
Não tenho medo de confessar, eu ainda não acredito em Deus. Não na versão oficial de Deus, pelo menos, aquela sobre um homem de roupão branco, sentado na nuvem, anotando pontos positivos e negativos num caderno e botando pra quebrar nos não-crentes de Sua pessoa. Minha versão de Deus é humana. Deus vive dentro de nós, é apenas uma voz interior que sabe separar certo de errado, que têm uma consciência coletiva e pode sim, com a força dos braços e da mente unidas, operar reviravoltas nunca dantes imaginadas. Nós somos deuses, se a gente agir de acordo.
Acredito que Deus é aqui e é agora. E a forma que encontrei pra me comunicar com esse momento, quando bate um desesperozinho, foi falar com Maria e confiar nisso. Maria foi a mãe de Jesus e, ao que consta à História, sofreu pra um cacete. Como mulher, como mãe e como cidadã, não teve momento pior, teve? Pois se ainda assim ela segurou, peço que me ajude a segurar também - ainda que por motivo muuito menor. Acho na verdade que Maria vive em mim apenas - sou eu falando com meu interior, com a minha auto-confiança, com meu equilíbrio, e não exatamente com uma mulher que viveu há 2 mil anos. Que seja. É o meu momento.
É um pouco chato quando junto as mãos e converso e acendo uma vela pra ver a luz e vem um dizer "ué, mas não é você a supercética?". Sinto um tom de ironia quase cruel? Fazer o quê? Eu continuo não acreditando que a gente morre e entra na fila de espera pra nascer de novo, mas acredito na vibe. Sabe a vibe? Pois é, a vibe.
Quando a gente foca, seja no que for, as ações acompanham. Essa é a vibe. Posso firmar o pensamento aqui e acreditar que, sim, ajudou minha amiga que mora lá longe só porque ela soube que tinha alguém compartilhando a dor com ela. Posso desejar muito um acontecimento e, por obra minha mesmo e da gana mental, vê-lo concretizado. E posso, sim, tentar usar uma boa vibe pra acreditar que as minhas meninas vão melhorar do que as aflige.
Ser muito cética, enfim, não me impede de ter esse momento de fraqueza e, nele, ficar meio espiritual. Porque quase nada, eu aprendi, precisa ter uma resposta só.

Nem que seja só pra ver na escuridão...
Demorou, mas eu descobri o meu momento. E quando ele acontece, eu me pego acendendo vela, caindo de joelhos, chorando e soluçando e pedindo à Maria, a mãe de todas, que zele por nós, por favor, por favorzinho! Faço qualquer negócio.
Esse meu momento é quando minhas filhas adoecem. Tenho tanto medo de perder essas meninas pra uma doença grave que, a um sinal de febre, começam os tremeliques. Fico nervosa. Fico arfando. Fico atazanada e perco a noção. Não deixo de me recompor, porque afinal elas precisam é de um adulto de cérebro operante, não de uma louca em pânico, mas fico assim, baratinada. E aí eu me pego com... com... com "um outro lado", vamos dizer assim.
Não tenho medo de confessar, eu ainda não acredito em Deus. Não na versão oficial de Deus, pelo menos, aquela sobre um homem de roupão branco, sentado na nuvem, anotando pontos positivos e negativos num caderno e botando pra quebrar nos não-crentes de Sua pessoa. Minha versão de Deus é humana. Deus vive dentro de nós, é apenas uma voz interior que sabe separar certo de errado, que têm uma consciência coletiva e pode sim, com a força dos braços e da mente unidas, operar reviravoltas nunca dantes imaginadas. Nós somos deuses, se a gente agir de acordo.
Acredito que Deus é aqui e é agora. E a forma que encontrei pra me comunicar com esse momento, quando bate um desesperozinho, foi falar com Maria e confiar nisso. Maria foi a mãe de Jesus e, ao que consta à História, sofreu pra um cacete. Como mulher, como mãe e como cidadã, não teve momento pior, teve? Pois se ainda assim ela segurou, peço que me ajude a segurar também - ainda que por motivo muuito menor. Acho na verdade que Maria vive em mim apenas - sou eu falando com meu interior, com a minha auto-confiança, com meu equilíbrio, e não exatamente com uma mulher que viveu há 2 mil anos. Que seja. É o meu momento.
É um pouco chato quando junto as mãos e converso e acendo uma vela pra ver a luz e vem um dizer "ué, mas não é você a supercética?". Sinto um tom de ironia quase cruel? Fazer o quê? Eu continuo não acreditando que a gente morre e entra na fila de espera pra nascer de novo, mas acredito na vibe. Sabe a vibe? Pois é, a vibe.
Quando a gente foca, seja no que for, as ações acompanham. Essa é a vibe. Posso firmar o pensamento aqui e acreditar que, sim, ajudou minha amiga que mora lá longe só porque ela soube que tinha alguém compartilhando a dor com ela. Posso desejar muito um acontecimento e, por obra minha mesmo e da gana mental, vê-lo concretizado. E posso, sim, tentar usar uma boa vibe pra acreditar que as minhas meninas vão melhorar do que as aflige.
Ser muito cética, enfim, não me impede de ter esse momento de fraqueza e, nele, ficar meio espiritual. Porque quase nada, eu aprendi, precisa ter uma resposta só.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Por quanto andam te comprando?
Tá, a pergunta pode parecer meio grossa. E é mesmo. Não que eu esteja dizendo que você se vende, assim, no sentido vil da palavra. Mas a verdade é que a única que se vendeu e ainda se deu bem com isso foi a Julia Roberts em "Uma Linda Mulher". Calma, eu não estou chamando ninguém aí de mulé da vida, não é nada disso.
Mas é que o trabalho é isso aí, no fim, uma troca de determinada atividade por uma soma em dinheiro. A atividade pode ser intelectual, braçal, não importa: tudo é uma questão matemática simples de horas trabalhadas versus bufunfa recebida. Claro e lógico. Só que hoje parece que não basta mais! "Pode acrescentar na conta a sua alma também?", dizem calados os patrões.
Ninguém que eu conheça e está com a vida profissional na ativa trabalha menos de 8 horas. Há, 8 horas?! Seria algo como entrar às 9h e sair às 17h, é isso?! Inexiste. Só conheço quem trabalhe 9, 10, 11, 12... até umas 14 horas por dia. Alguns param para um almoço de hora, hora e meia - mas considerando que usam esse break ou para fazer negócios, ou para falar mal do trabalho, nem conta, conta?
Alguém de RH podia me explicar como é que isso ficou assim. Primeiro, era o trabalho em si. Passou muito tempo, virou o trabalho em si, mais o trabalho extra, mais uma coisa ou outra para levar pra casa em dia útil, depois no fim de semana, daí vieram viagens de business, eventos, jantares e aqueles dias de... como é o nome daquilo, quando levam um bando de gerentes pra fazer tirolesa e rapel com a desculpa de desenvolver trabalho de equipe? Bom, não sei o nome. Deveria chamar "trote".
E é hora de trabalho que não acaba mais! Se você termina o seu e apanha a bolsa às 18h30 em qualquer escritório, dá a impressão que será metralhada pelos olhares de reprovação. E não só olhares dos chefes, mas dos colegas também! Devíamos estar mais unidos em prol de "oi, eu não sou só uma foto horrenda no crachá, eu tenho vida".
Devíamos pensar melhor em muitas coisas. Por exemplo, que nossos filhos mereciam que um pai levasse na escola e outro buscasse; que houvesse tempo verdadeiro para o almoço e um café decente, sem pedir sopa porque é mais rápido engolir; que quando houvesse uma emergência, tivéssemos a compreensão da empresa para uns dias de ausência; que não se torcesse nariz para consultas médicas, mudança de casa, esperar o novo armário da cozinha... Porque, né, como receber o homem da Casas Bahia em horário comercial se no horário comercial a gente está com a bola de ferro no pé?
Eu desconfio que, sim, as horas trabalhadas cairiam de 14 para umas 7. Mas desconfio também que, daí, as pessoas trabalhariam realmente focadas naquilo, com a bunda na cadeira de corpo presente - e não olhando vidrados pra tela luminosa enquanto pensam no filho doente, em casa, sendo tratado por alguém que não é sua mãe. Desconfio que seríamos mais produtivos mesmo em menos horas, enfim. E mais felizes também, porque é um saco ficar se sentindo culpado por faltar e acabar se arrastando para a firma mesmo com febre de 39 e possibilidade de infectar todo um departamento.
O pior é que, se a gente bota a conta no papel... xiii! A conta nunca parece fechar bem. Querem a alma, mas não querem pagar por ela - e não que seja bom vendê-la mas, sei lá, se for esse o caso, pelo menos que façam uma avaliação justa numa alma humana em bom estado, com pouco uso, potência em alta...
Agora, quem quer fazer uma conta de fato, esqueça o "Horas X Grana" e conta aqui: cada ano tem 52 fins de semana. Mesmo os mais jovenzinhos poderão checar aí, com lápis e papel, que até o fim da vida temos cerca de... no meu caso, chuto uns 2.600 fins de semana. Mixaria, hein, pra ficar desperdiçando com trabalho?
Mas é que o trabalho é isso aí, no fim, uma troca de determinada atividade por uma soma em dinheiro. A atividade pode ser intelectual, braçal, não importa: tudo é uma questão matemática simples de horas trabalhadas versus bufunfa recebida. Claro e lógico. Só que hoje parece que não basta mais! "Pode acrescentar na conta a sua alma também?", dizem calados os patrões.
Ninguém que eu conheça e está com a vida profissional na ativa trabalha menos de 8 horas. Há, 8 horas?! Seria algo como entrar às 9h e sair às 17h, é isso?! Inexiste. Só conheço quem trabalhe 9, 10, 11, 12... até umas 14 horas por dia. Alguns param para um almoço de hora, hora e meia - mas considerando que usam esse break ou para fazer negócios, ou para falar mal do trabalho, nem conta, conta?
Alguém de RH podia me explicar como é que isso ficou assim. Primeiro, era o trabalho em si. Passou muito tempo, virou o trabalho em si, mais o trabalho extra, mais uma coisa ou outra para levar pra casa em dia útil, depois no fim de semana, daí vieram viagens de business, eventos, jantares e aqueles dias de... como é o nome daquilo, quando levam um bando de gerentes pra fazer tirolesa e rapel com a desculpa de desenvolver trabalho de equipe? Bom, não sei o nome. Deveria chamar "trote".
E é hora de trabalho que não acaba mais! Se você termina o seu e apanha a bolsa às 18h30 em qualquer escritório, dá a impressão que será metralhada pelos olhares de reprovação. E não só olhares dos chefes, mas dos colegas também! Devíamos estar mais unidos em prol de "oi, eu não sou só uma foto horrenda no crachá, eu tenho vida".
Devíamos pensar melhor em muitas coisas. Por exemplo, que nossos filhos mereciam que um pai levasse na escola e outro buscasse; que houvesse tempo verdadeiro para o almoço e um café decente, sem pedir sopa porque é mais rápido engolir; que quando houvesse uma emergência, tivéssemos a compreensão da empresa para uns dias de ausência; que não se torcesse nariz para consultas médicas, mudança de casa, esperar o novo armário da cozinha... Porque, né, como receber o homem da Casas Bahia em horário comercial se no horário comercial a gente está com a bola de ferro no pé?
Eu desconfio que, sim, as horas trabalhadas cairiam de 14 para umas 7. Mas desconfio também que, daí, as pessoas trabalhariam realmente focadas naquilo, com a bunda na cadeira de corpo presente - e não olhando vidrados pra tela luminosa enquanto pensam no filho doente, em casa, sendo tratado por alguém que não é sua mãe. Desconfio que seríamos mais produtivos mesmo em menos horas, enfim. E mais felizes também, porque é um saco ficar se sentindo culpado por faltar e acabar se arrastando para a firma mesmo com febre de 39 e possibilidade de infectar todo um departamento.
O pior é que, se a gente bota a conta no papel... xiii! A conta nunca parece fechar bem. Querem a alma, mas não querem pagar por ela - e não que seja bom vendê-la mas, sei lá, se for esse o caso, pelo menos que façam uma avaliação justa numa alma humana em bom estado, com pouco uso, potência em alta...
Agora, quem quer fazer uma conta de fato, esqueça o "Horas X Grana" e conta aqui: cada ano tem 52 fins de semana. Mesmo os mais jovenzinhos poderão checar aí, com lápis e papel, que até o fim da vida temos cerca de... no meu caso, chuto uns 2.600 fins de semana. Mixaria, hein, pra ficar desperdiçando com trabalho?
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