terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Todo dia ela faz tudo sempre igual

Quando a Sabrina nasceu e completou 4 dias, nós fomos visitar pela primeira vez o Dr. Labib. Pediatra e Mestre dos Magos (ele gahará um post só pra ele aqui em breve, aguardem), Dr. Labib sempre foi direto e reto sobre alguns pontos. O primeiro deles foi a rotina - e hoje eu considero que esse talvez tenha sido o decreto mais importante que ele baixou sobre nós aqui.

Logo nessa primeira consulta, o doutor informou que deveria ser assim, ó: "troca fralda, mama, põe dormir; dali 3 horas, troca, mama, põe dormir; e depois de 3 horas, troca, mama, dorme. E assim vai". E foi. Mas quando contei o procedimento pra alguns chegados, ouvi uns "oooh!" de indignação. "Mas e se ela acordar e chorar e quiser mamar depois de 2 horas, não pode dar??". Não, é pra enrolar. "Mas e se ela fizer 'coisas' na fralda enquanto mama, coloca dormir assim??". Coloca. As fraldas de hoje têm tanta camada de proteção que ela poderia fazer piche ali e ainda estar segura.

Bom, a gente enfrentou essa saraivada de palpites, mas decidimos manter o que mandava o doutor. Quando o processo mostrou que a Sabrina ficava muito bem assim, emplacamos também a rotina das comidinhas em intervalos firmes, das sonecas com hora cravada, do combo "banho-leite-historinha-luzapagada".

Mais uma vez a gente ouviu uma série de pitacos - que éramos muito CDFs, que a menina ia se encher disso e se rebelar, que estávamos exagerando. Então: mas nós fomos é percebendo que a Sabrina ficava muito confortável assim. Estava cada dia mais segura, mais tranquila, mais obediente. Não precisava ficar nervosa porque cada dia a coisa corria de um jeito e nem endemoniada, porque já conhecia as regras. Fez bem pra ela. Como o Dr. Labib disse que faria. Ponto pro velhinho!

Tudo bem, é verdade: tivemos que recusar muitos convites pra festinhas depois das 21h, pra jantares noite adentro, pra gincanas de dia inteiro com visitas, shopping, parque e cinema numa tacada só. Recusamos pra vir pra casa, colocar a meninota no prumo, deixá-la mais calma, cair de novo na rotina. Foi chato às vezes. Mas o ganho era claríssimo.

Quando conto que a Sá dorme religiosamente às 20h sem reclamações, come almoço e jantar sozinha, sabe a hora de dar comida aos peixes do aquário, de vestir o sapato, de escovar os dentes e se mandar pra escola, vejo caras de espanto. Pra nós, espanto algum: ela conhece sua rotina e está muito contente com isso.

E a tal rotina, aliás, tem até um bônus bacana: vira festa quando ela é quebrada! Agora que Sasá tem 5 anos, está autorizada a zoar o barraco de vez em quando, só de curtição. Tem dia que pode jantar pizza ou hot-dog, tem dia que pode ir na festinha dos amigos e pular até tarde, tem dia que pode até desmaiar no sono sem nem tomar banho. O dia de quebra da rotina serve pra mostrar que ela é importante - e depende só de nós.

Com a chegada da Olívia, há quase 3 meses, fomos lembrados pelo Dr. Labib sobre a implantação da rotina de novo. Voltamos aos dias de olhar no relógio regularmente, não avacalhar nas atividades em casa e fora dela e não cair em chantagem de nenê safada que quer nanar só no colo. Lilica já gosta dos seus dias com hora marcada - e, aos detratores da tática, tenho a dizer que ela já dorme das 22h às 6h de uma estirada só, essa belezinha! Rotina é bom, e toda criança gosta. Mesmo sem saber disso.


Todo dia elas fazem tudo sempre igual
me sacodem às 6 horas da manhã
me sorriem um sorriso pontual
e me beijam... com essas boquinhas não exatamente de hortelã*


*Seo Chico Buarque, descupaê a licença poética ao deturpar "Cotidiano", tudo bem?

14 comentários:

Alessandra Pilar disse...

Flá, vc está certíssima com a rotina das filhotas. Eu fiz o mesmo aqui, um pouco tarde, mas fiz. Chico estava me deixando louca fora da rotina. Daí comecei a rotina e tudo melhorou muito. Mas o danado não foi tão bonzinho qto tuas pequenas não. Ele sempre relutou muuuuito pra dormir e as sonecas diárias eram um sacrificio. Agora tá tudo mais tranquilo. Bjos

cristiane disse...

Apesar de gostar de rotina eu ainda não consegui colocar as coisas em ordem assim. No começo o pequeno queria mamar de hora em hora e não dava pra enrolar, não. E quanto à fralda, depois de uma assadura horrorosa que ele teve eu não consigo deixa-lo com cocô esperando. Mas confesso que senti uma invejinha quando você faou que a Olívia dorme das 22 às 6. Desde que o Pedro nasceu não fiz um sono sequer de mais de três horas.

Lilian disse...

Eu estou anotando todas as dicas, só tenho medo de me embananar, rs!

Fabiana disse...

Ah, que lindas. E parabéns por perserverar.

Não tive essa força, mas não tenho do que reclamar. Minha pequena, apesar de não ser tão disciplinada, dorme cedo e nunca me faz passar vergonha. Quer dizer, ninguém escapa de uma briguinha ou outra.

Ana Lu disse...

Ah, ter rotina é muito bom. E quebrá-la de vez enquando é ainda melhor!
Sabrina e Olívia com certeza adorarão ter aprendido isso desde pequeninas!
Beijos

bia disse...

Além de facilitar a vida das meninas, a rotina tranquila faz dessa casa, de longe, uma das mais legais da cidade pra os amigos visitarem! bj

A Sócia da Light disse...

Hahaha! Pois é, né, Bia... Daí as pestinhas vão roncar e a gente cai na birita! Rotina é bom por isso também. ;-]

Fabi, a receita é que não tem receita, né? Com certeza Claricinha aprendeu a se sentir segura por outros meios tão bons quanto.

Lilian, querida, posso dizer que eu me embanano até hoje? É dureza manter a linha e fingir sempre saber o que se está fazendo. Mas eu persevero! :-D

Cris, eu acho que meninos demandam mais firmeza ainda, viu? Vejo as amigas com meninos precisarem ser quase agente da KGB pra manter a lei! (E tendo um contraventor da lei como o João por perto... Que a Força esteja com você, amiga... Rss!!!).

Alê, quando a coisa complica, eu recorro a uns subterfúgios: quando a Sá inventou umas fases de demorar a dormir, convidei pra irmos comprar um pijama novo - e ela comprou a ideia, ficava ansiosa pra dormir logo pra usar o bendito! Rss. E quando começou a ratear pra comer, inventei que ela podia usar um copo especial, que a gente decorou aqui mesmo. Ser mãe é ser meio Mister Maker, acho. Rss!

Viv disse...

Amore, quando eu digo que não há menininha mais tranquila, obediente e doce que a Sabrina, não estou apenas elogiando a índole de nossa minhoca. Porque eu sei bem que apesar de personalidade ter um papel importante, o trabalho que você tomou pra si aí é intenso e diário e diz muito que mãe especial você é. Love you.

Nanael Soubaim disse...

Dr. Labib sabe o que diz. Disciplina não se ensina à força, mas no cotidiano, naturalmente, inclusive aos pais.
Criança é feliz quando conhece e observa seus limites, sem limites elas são somente eufóricas; da euforia para a depressão é só um degrau. Quem sabe esperar a hora de comer e dormir, sabe esperar a hora de se aventurar e de pedir ajuda.
Agora deixe a pequena à vontade para ser útil, ela tomará gosto por isso. Se Elizabeth II trabalhou de mecânica durante a guerra, Sabrina pode trabalhar de babá até a pequerrucha saber se virar sozinha, o princípio é o mesmo. Uma princesa servindo na guerra, uma princesa servindo no lar.
Disciplina, Mamma Flávia, não é tudo, mas é a melhor rocha para o alicerce de uma personalidade. O amor é a argamassa tenaz que sustenta o edifício. Seria mais fácil ser boazinha o tempo todo, mas isto só teria sentido em um mundo bonzinho. O nosso não o é.

Um abraço disciplinado, minha flor playmobilica.

Alessandra disse...

A Sabrina dorme às 20:00 e acorda que horas? Só por curiosidade. Sem querer me meter, nem de longe eu ousaria.

A Sócia da Light disse...

A Sabrina dorme às 20h e acorda entre 7h e 7h30, Alessandra. Junto com a menor. E aí começa o dia. :-]

N., Sabrina talvez vire mesmo uma babá - uma Supernanny!

Viv, você é quem me ouve mais e sabe da trabalheira, né? E quando eu ficar muito "rotineira", me dá um sopapo e me chama pra passar uns dias em Mendocino? ;-]

moniquinha disse...

Aaa..
eu sempre fiz questão da rotina e o mais importante,que os filhos,entrem no ritmo da rotina da casa,de preferência,então,meus filhos bebês não deram trabalho,tirando os dias de pós vacina/doente,mesmo assim,foram poucos.
Aaa
tb fui chamada de carrasca,nem liguei e vivemos felizes até a página 10 + ou -..
Hoje,adolescentes ou quase,até tem horários diversos,mas só qdo é período de férias,pq,horário escolar é seguido c/rigor por aqui.
Bjos

A Sócia da Light disse...

Isso aí, Moni, chicote nesses adolescentes. Mas com amor.

;-]

Menina-que-quer-ser-escritora disse...

Eu nao tenho filhos ainda, mas eu atendo crianças no consultorio, fotografo crianças nas festinhas, enfim. Achei interessante o que vc escreveu, Flá.

E eu acho que a questão não é a rotina ou a imposição de um modo que se julgue correto para se criar/educar uma criança, o lance é encontrar uma linguagem que seja a familiar a dos pais! Imagina só se o pediatra fosse partidario da idéia de que a criança deve mamar quando tem fome? Talvez pra vcs isso fosse super complicado e vcs dois não se adaptassem. se sentissem super desconfortáveis fazendo isso, ela logo ia sacar e tudo iria por agua abaixo. Vcs deram sorte de encontrar um médico que tinha uma concepção de vida que tinha a ver com a de vcs!!!

Cada família acha sua métrica, sua rima, sua justa adequação - parafraseando Caetano.

bjs e feliz 2011 pros 4!!!