quinta-feira, 12 de abril de 2012

Mulher é tudo vaca

É sim. É tudo va-ca. A gente é vaca quando estaciona primeiro na vaga. A gente é vaca quando é promovida. A gente é vaca quando usa saia curta, quando usa decote e quando usa biquini. Na praia. Com 40 graus.

Mulher é uma tremenda vaca quando manda o subordinado homem executar logo uma certa tarefa, cobrando o resultado que ele já teria dado se o chefe fosse homem. Mulher é vaca quando se impõe e defende um ponto de vista com gana - quando, se fosse um homem defendendo, ele seria apenas "exigente". E eu simplesmente a-do-ro aquela máxima que diz: "quando ganha cargo alto, mulher vira tudo vaca". Com atenção especial pro fato de aquela vaca "ganhar" cargo alto, nunca conquistar.

A gente é uma grandecíssima vaca ao paquerar o marido de outra e é mais vaca ainda no ponto de vista da que quer o nosso marido, porque está atravancando os trabalhos. Aliás, eu já vi muito mais mulher chamando outra de vaca do que homens... uma pena. Porque os homens adoram quando nós nos chamamos assim. Dá neles um gostinho de mulher ser uma coisinha tola que se engalfinha por nada.

Já vi mulher sendo considerada uma vaca por pedir que o que fura fila tome sua linha e vá lá pro final. Já vi mulher sendo chamada de vaca porque ficou bonita demais com o penteado novo e chamou atenção. Já vi mulher sendo tratada como vaca no ônibus, no trem, no avião - e eu nunca fui de navio, mas tenho certeza que se a gente pedir uma espreguiçadeira pros folgados que sentam em uma e espalham as toalhas na outra, vão dizer que somos umas vacas.

Mulher é vaca porque tem dinheiro, porque tem prestígio e porque tem tutano. E quando não se têm nada disso, danou-se também, porque vão achar um meio de dizer que somos umas vacas, sei lá, porque "tá desempregada mas não deixa de fazer a unha".

E olha, a maior vaca de todas é a que joga charme. Ou não joga charme. Ou, mais que todas, a que aceita sair com o sujeito, mas depois decide que não está a fim do tico-tico-no-fubá - e, NOSSA, essa vai ser chamada de vaca pra todo o sempre. Ter uma escolha é a maior vaquice se que pode fazer.

O diabo é que mulher é vaca até quando é a presidenta da nação. Podiam dizer que é incompetente, pouco diplomática, lerda, grossa, chata, feia, boba... Mas escolhem dizer que "é uma vaca mesmo". Nenhum homem já foi repreendido e chamado de boi. Muito menos um presidente.

O que se ataca no homem é a virilidade - e todos os que não condizem logo são ditos "bichas". Com a gente é específico: vaca. Eu custo a entender como isso foi virando xingamento, mas acho que quer dizer que somos um bicho que dá pra todos os machos do bando. O que se ataca na mulher, portanto, é precisamente o sexo dela.

Claro que existe mulher coisa-ruim, como homem coisa-ruim. Claro que algumas são desonestas, maldosas, estúpidas, etc. e quetal. Mas por que tantas e tantas vezes todas nós somos umas vacas, aí é curioso de engolir. Eu sei é que eu já devo ter sido considerada uma vaca muitas vezes. Mesmo não sendo uma.

Eu gostaria muito que isso caísse em desuso. Globalmente - porque, ó que interessante, mulher é vaca em diversas culturas e idiomas. Eu curto as vacas e acho uma graça seus padrões lisos ou malhados e aquele leite gostoso que elas dão... mas eu não acho que as mulheres deveriam ser chamadas de vacas. Na minha presença muitas vezes elas são - e eu quero nem saber quem é que está rodeando a mesa e se a birita já subiu à mente, eu boto o Jabaquara em campo se ouvir uma coisa assim.

Quem diz que mulher é tudo vaca tem muito o que pastar.

4 comentários:

J. disse...

Pode assinar embaixo e passar para frente como manifesto???
Concordo em tudo, odeio quando mulheres são chamadas de vaca, independente do motivo.
Abraço,
Jaciara

Sócia da Light disse...

Pode!! :-D

Paulinha disse...

Uau... que texto-manifesto legal!!!

Sabe? Nunca tinha imaginado tanto direcionamento pra uma simples palavra: VACA!!!! ssrsr

Jorge Ramiro disse...

Eu concordo. Acabou de voltar de uma jantar onde as questões sérias foram discutidas, foi em a figueira rubaiyat. E a comida era boa.