sexta-feira, 18 de novembro de 2011

É moda

Tenho nem vergonha de admitir que estilo para vestir nunca foi o meu forte. Exceto por algum relance (bem) esporádico, meus conhecimentos e habilidades nessa área são pra lá de limitados. Eu não combino bem cores - a não ser que usar preto com preto seja uma combinação. Eu não jogo bem com camadas, com acessórios e não sei um nhé das tendências.

Visto só o que eu acho bonito e que fique confortável. Isso é o máximo que eu sei fazer com moda - botar um jeans, uma blusa, um sapato razoável. E nem adianta dizerem "ahh, mas pelo menos seus sapatos são legais!". Eles são mesmo, mas pelo mero acaso de o meu bairro ser um desses redutos de gente ananaíra bem-lançada que vende uns sapatos bons de usar E engraçadinhos. E, sendo sincera, eu só compro porque são bons de usar. Se fossem apenas engraçadinhos, eu passaria reto.

Tudo isso é culpa de uma criação que não privilegiava o estilo, de uma verba curta pra coisa toda e de uma certa ojeriza a lojas e provadores. Tenho um bode tremendo de explicar minhas preferências pra vendedores (principalmente para aqueles que acham que, se brocado está na moda, eu devo usar brocado. Eu abomino brocado. E esse é um bom exemplo da minha intimidade com a moda, já que o brocado não é algo válido desde 1976).

Gosto mesmo é de lojas de departamentos que colocam tudo lá e a gente que se vire. O problema é que, além de sem-estilo, eu também sou um chute no saco quando se trata de roupa. Acho quase tudo feio, bobo, de qualidade duvidosa e custo elevado. Ou seja: pode ter lá a maior loja do mundo, com 50 mil cabides... a chance, ainda assim, de eu achar algo que goste é menor que a chance de o Paul McCartney ligar aqui em casa e me chamar pra comer churros.

Vou vivendo assim, à margem da moda, mas com um certo desagrado. Eu queria saber mais, usar melhor, comprar com gosto. Mas é difícil. Veja como é difícil.

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De uns quatro meses pra cá, eu perdi uns 6 ou 7 quilos. E nem adianta cumprimentar, visto que pra mim magreza não é virtude e que esses quilos se esvaíram por estresse e baixo astral... Por sorte, passou! Mas os quilos ainda não voltaram.

O caso é que eu acredito que em breve os quilos voltarão, sim. E as calças que agora me caem pelas cadeiras, como fazer? Mantenho pra usar quando voltar a ser rechoncha? Dar embora e comprar novas, mais acertadas? Comprar uma nova, mas manter a velha, pra ter aquele versátil "guarda-roupa de magra - barra - guarda-roupa de gorda?

Eu acho que os suspensórios seriam a melhor solução... Vou apanhar das fashionistas na rua?

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Tudo bem, tem loja com vendedor chato, música ruim no áudio, preços esclerosados, etc.. Mas nada se compara, na questão demoníaca, aos cabides que elas usam. Eu tento ser cliente discreta e delicada, passando as peças lentamente pra ver direitinho... mas não tem uma vez que a porra da camisa/camiseta/vestido fica parado no cabide. Devem passar vaselina naquelas hastes. As roupas se atiram no chão sempre, me causando o maior desconforto.

A Julia Roberts ficou avexada por ter sido posta pra fora da loja chique em "Uma Linda Mulher" só porque a moça achou que ela era pobre e rameira? Imagina derrubar um monte de roupa do cabide por 36 anos, o trauma que causou em mim!

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Quando eu era criança, a moda não me dizia nada. Adolescente, ela ainda não me dizia nada, mas pelo menos eu sabia que me vestia mal, e aí sim começou a ser problema. Teve um dia, por exemplo, em que eu me vesti pra ir no bailinho de uma amiga (ocasião adolescente anos 80 equivalente a Baile de Gala do Met pras socialites americanas de hoje). Ficou "tão bom" que o meu irmão me agarrou pelo braço e me levou trocar de roupa.

Mandou tirar a saia escrota e colocar uma calça jeans básica. Mandou colocar a camiseta branca, dobrou as mangas pra ficar cool, descolou um cinto da nossa irmã mais velha e, cabelo solto penteado e mais uns acessórios, ficou um show. E meu estilo básico ousado (apesar de ser uma fraude) me tornou a sensação daquela festa.

Agora me digam se uma garota que, adolescente, precisou da ajuda *do irmão mais velho heterossexual e baixista de banda* pra se vestir teria alguma chance com a moda nessa vida.

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Esses programas da TV em que os apresentadores se lançam na tarefa de tirar o mau gosto do mundo consertando um cafona de cada vez são meu guilt pleasure. Adoro a tiração de sarro, a postura estúpida dos envolvidos, as dicas. Ah, as dicas... Compreendo todas, mas acho que uso nenhuma.

A primeira coisa que eles sugerem, por exemplo, é que a pessoa sem estilo (como eu) não seja gado e pare de comprar na mesma loja, as mesmas coisas, nos mesmos modelos só trocando as cores. Bem, até o fechamento dessa edição aqui, eu possuía quatro camisetas da mesma Luigi Bertolli em quatro cores distintas.

Caiu bem a peça, eu juro! Ok, já pode chamar o camburão... Eu aceito ser condenada por falta de moda.

Meus companheiros nessa luta!

16 comentários:

Anônimo disse...

Ah, eu adoro as roupas que ela não quer mais e me dá. Pq ela sempre faz isso. Aliás esse sapato azul e marron aí não tá meio velhinho? compra outro e me dá esse, pode ser?

Sara disse...

Nossa, esse é aquele tipo de post que faz a gente querer botar a alma pela boca e dividir as nossas situações!! rs. Já vi que vou ter que me controlar pra não escrever muito!
Primeiro: A-MEI seus sapatos! Tenho uns parecidos, e quero esses daí também!
Segundo: Aqui em casa também tinha isso de baixo orçamento, e talvez esse tenha sido o fator fundamental de não sermos ligados à moda (mas eu acho que foi isso que me tornou uma pessoa não conumista e que geralmente gasta dinheiro com coisas mais úteis e legais) . Fora que eu sofria pra achar algo que gostasse. Chegava a chorar quando saía com a minha mãe pras compras de fim de ano (geralmente a única época em que comprávamos roupas). Mas sempre tive paixão por sapatos. Minha mãe dizia que eu ia andar nua, só de sapato, porque era a única coisa que eu queria comprar. Depois da adolescência as coisas melhoraram um pouquinho, mas o dinheiro continuava sendo um empecilho pra eu "andar na moda". Também nunca fui muito vaidosa. Eu era até meio ogra (e dá uma vergonha quando revejo as fotos daquela época...). De uns dois anos pra cá a idade começou a pesar e passei a me preocupar mais com a aparência, só que ainda sou menos vaidos que 80% das mulheres da minha idade, certeza! Aprendi a usar maquiagem (leia-se maquiagem como lápis de olho, um blush pra tirar o pálido do rosto e bem de vez em quando um batom. Só isso. A única vez que inventei de passar sombra fui correndo lavar o rosto, pois me senti o palhaço bozo...), tenho andado menos descabelada, descobri que adoro camisetinhas de filmes, livros, músicas, desenhos (enfim, coisas de que gosto), descobri que sou bem básica (viva o conforto!) e que tá bom assim. Já sofri muito por me achar fora da moda, meio brega até, já me senti preterida pelos meninos. Hoje não ligo tanto pra isso, que gostem de mim pelo que sou, né.
Mas ainda tenho problemas pra entrar nessas lojas chiques... tenho síndrome de suburbana mesmo. Só me dá satisfação ao ver a cara daquelas vendedoras nojentas depois de perguntar em quantas (milhões) de vezes eu vou parcelar e eu dizer que vai ser tudo no débito (aqui em casa a gente SÓ compra as coisas à vista).
O único problema é que tem um ano que tô morando em Natal (sou do Rio). Como aqui as pessoas, fora praia, têm absolutamente NADA pra fazer, elas acham que shopping é sinônimo de lazer e são extremamente consumistas! Só sabem falar de marca e adoram julgar pela aparência (NUNCA fui tão olhada de cima a baixo como aqui). Esses dias estava com meu primo e uns amigos dele e conversávamos sobre viagens. Meu primo disse que eu era mochileira e umas pessoas me pediram dicas de lugares que eu já tinha ido. No meio da conversa uma garota, me olhando com desdém, disse que eu não vestia roupas de quem viaja pro exterior. Nossa, eu queria ter dado uma boa resposta, mas o comentário dela foi de uma pobreza de espírito tão grande que fiiquei sem reação... Não vejo a hora de voltar pro meu Rio!

Sara disse...

Juro que queria não escrever muito, mas as coisa foram vindo, foram vindo e não pude controlar os meus dedos!! rs

Sócia da Light disse...

Sara, love, o estilo (ou a falta dele) fazem parte de cada pessoa, eu acho. Admiro demais aquelas pessoas que sabem coordenar e, mais ainda, inventar moda. Mas se a gente não sabe, que fazer, né? Tentar melhorar um cadinho - pra não ter vergonha das fotos antigas (se bem que eu amo justamente isso em fotos antigas, tirar sarro delas!) - e quem sabe ganhar umas dicas das amigues descoladas, né? Agora, sobre vendedoras chatas eu não comento (porque elas são a minoria nessa classe de gente trabalhadeira) e nem sobre esses aí que "gostam de marca". Dizer que você "não vestia roupas de quem viaja pro exterior" quase me matou de rir! Essa nunca viu nossos queridos alemães com seus meiões com sandália, né? Amo de paixão! :-D

E o anônimo ali acima seria você, minha irmã? Pode tirar os olhos dos poucos sapatos que eu tenho, sim? Você já confessou ter mais de 40, criatura, eu tenho 12! Doze pares de sapatos - incluindo os crocs e a botina de viagem! Leave me alone!

Cristiane disse...

Outra que se sentiu completamente descrita por esse texto! A única diferença é esses 6 ou 7 quilos que você perdeu estão aqui comigo. Então meu caso não se resolve com suspensórios e então ontem eu encarei o desafio de rodar a cidade para comprar alguma peça de roupa. Tudo que eu consegui foi entrar no mercadinho da esquina e comprar um maço de couve. Sério.
Também prefiro as lojas de departamentos que não têm vendedores chatos te seguindo, mas parece que a moda agora são roupas coloridas demais, brilhantes demais e justas demais para uma mãe de família. E nem pense em querer uma calça jeans com a cintura no lugar e pernas que não te provoquem gangrena. Isso somado à minha também total falta de estilo me faz continuar usando os jeans e camisetas de anos e anos atrás.

Nanael Soubaim disse...

Ja! Passei a adolescência inteira usando uma única marca de roupa, a Simidão, porque não conseguia emprego e os bicos mal davam para o básico. Mas nunca dei trela para a moda, o normal é eu não gostar do que lançam.

Depois dos trinta é que consegui me encontrar e pagar pelo encontro. Adeus, vendedores chatos que querem me deixar descolado, como se eu gostasse de perder pedaços por aí. Adeus, vendedores hipócritas, que pensam que todo mundo se sente lisonjeado em ser chamado de "jovem" ou, pior, de "gatinho". Adeus, vendedores patéticos, que pensam que o facto do branco dos meus olhos ser parecido com o de um galã-meia-boca, eu vou querer me tornar uma marmota igual.

Hoje o Zé, meu alfaiate-mãos-de-anjo, me veste. Há mais de dez anos tenho a mesma ficha, com as mesmas medidas e os mesmos gostos anotados. Eu visto a minha moda, sem me preocupar com o que o resto pensa de mim. Só falta eu encontrar um sapateiro tão bom quanto o Zé é alfaiate, para minha libertação ser completa...

Flávia, põe um rastreador nesses sapatos.

Paulinha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Paulinha disse...

Adoro moda, porém, não tenho "tempo" para me adequar sempre à ela rsrsrs. Meu guarda-roupa tb é bem básico, e quase sempre dependo da opinião de meus irmãos antes de me lançar à rua com algo novo no corpo.
Mas Flavia... AMEIDOREI esses sapatinhos da foto. Onde vende? Tem cara de serem super-hiper-maxi-confortáveis e pasme... na moda rsrs

Isabela disse...

Adorei os sapatos, tem tamanho 39?
Sou mais uma que adota o uniforme calça jeans e camiseta sempre que possível, eu juro queria saber usar todos esse acessórios e modelos.
Quanto a derrubar cabides eu tenho 26 anos de prática em derrubá-los. Adorei o texto.

Sócia da Light disse...

Rastreador nos sapatos não vou colocar, N., porque eles ficam ali bem socados numa sapateira, embalados, bem escondidos. Tem a menor chance de saírem da minha vista.

Cris, eu cuspi a água rindo aqui pela sua volta pra casa só com a couve. Irmãs de alma, amiga, irmãs de alma.

Paulinha, os sapatos são, na maioria, de um fabriqueta chamada Selo de Controle (www.selodecontrole.com.br pra ver lojas que revendem). Custam nada barato, viu? Mas é a concessão financeira que eu faço uma vez ao ano, mais ou menos.

Isa, tem 39 e tem uma infinidade de modelos. Quando ganhei um de presente e ficou pequeno, fui trocar e nem tinha o mesmo em outro número! Bonitos e exclusivinhos, ui, olha como eu sou féxion! :-D

Dri_ disse...

Ai, nem sei o que dizer, além de que concordo com tudo, inclusive que seus sapatos podem ser poucos, mas são sensacionais.

E Cris, pra calças de cintura "intermediária" tenta a Hering, é lá que tenho dado "sorte".

Anônimo disse...

Fla sua marmota adoravel! Amei seus sapatos. Lembram um pouco a marca CAS.
Anyway, eu tbm visto o que quero pq sou gorda e nem tudo cabe em mim. Adoro as recepcionistas que dizem logo de cara que nao tem numero pra mim, pq dai eu falo que vou comprar tudo pra minha irma ( silfide em pessoa), mando descer tudo, olho tudo e dai digo que nao vou levar nada.
Eu sou doida por sapatos e bolsas, e agora acessorios. Muitos sou eu mesma quem faco e dai eu amo mais. Nossa eu queria te mostrar uma foto minha e da minha irma anos 80 que a gente ta na prai de bikini de margaridas e com esquistossomose e rindo , infelizmente esta no bau da mamae. Mas quem sabe um dia? Bitokas Mica Mancada

Paulinha disse...

Oi Fla, vlw pela dica. Vou entrar no site e escolher um sapato lindo pra eu comprar.
Dps te conto se ficou show! rsrsrs
Bjks

Sócia da Light disse...

Por coincidência essa semana descobri a loja de uma moça chamada Suzana Izuno, que fica aqui perto de casa, na Vila Madalena (SP). Os sapatos são como os meus, são lindíssimo e saem bem mais em conta!! Ah, se eu tivesse verba... ;-]

Micota, esse talento não só pra coordenar acessórios, mas pra FAZER acessórios, é algo que eu vou pedir na minha próxima encarnação. Ah, se eu acreditasse em próximas encarnações... rss!!

Anônimo disse...

Seus sapatos sao parecidos com os da Amelie Poulain! amei!

Denize Barros disse...

selo de controle, camper, frida...amém os sapatos do seu bairro. e tu tá longe de se vestir mal. vá por mim. ;o)