quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Galeria caseira

Acho que desde que o mundo é mundo as geladeiras de uma casa de família viram display para a arte infantil. Ok, talvez não desde que o mundo é mundo, mas desde a invenção do refrigerador em 1875, com certeza.

O fato é que, sabe-se lá por que, se torna um ato natural pendurar naquela chapa metálica tudo o que se refere às crianças. Deve ser genético, uma coisa que é lançada no sangue assim que o bebê coloca a cara pra fora da barriga da mamãe.

Quando a gente não tem filhos, o espaço fica dividido entre as listas de compras, as fotos da turma de amigos e um ou outro imã promocional de disque-pizza. Depois da chegada dos rebentos... bem, só dá eles na geladeira.

Começa com uma foto do pequenino tomando banho com o pirulito pra fora, pra avexá-lo bastante na frente de todo mundo (sem a possibilidade dele se defender, por sinal). Daí vêm mais e mais imagens, o primeiro rabisco de giz de cera num papel, outros trabalhinhos da escola com outros rabiscos sem razão, canetinha e às vezes até glitter e areia colada (pra ajudar a destruição natural da geladeira bonita).

Quando vemos, aquilo virou um sem-número de sulfites decorados cobrindo cada milímetro do pobre eletrodoméstico. E que delícia olhá-los... As garatujas vão se transformando em rostos, casas, bichos, árvores, ganham cores mais sofisticadas e até umas tentativas de frasear. A evolução psico-social de um ser humano pode ser toda acompanhada pelos desenhos grudados na geladeira!

Pode não ficar muito lindo de se ver, nada assim muito "Casa Claudia". Mas depois que o gene da "mãe com orgulho do filhote artista" se manifesta, eu não sei se dá pra voltar atrás. Talvez um dia aconteça - e os desenhos e trabalhinhos dêem lugar aos bilhetes mal-criados sobre arrumar o quarto e comprar mais pão. Até lá, o espaço é da galeria infantil, a mais linda expressão de arte. Pelo menos na opinião da mamãe.

8 comentários:

Gabriela Petrucci disse...

Minha mãe nunca gostou de nada na geladeira, nem guardou meus desenhos! Isso é triste...
Guarde todos os desenhos das pequenas. Tá, não todos, mas os mais marcantes (?).

Beijo, Flá!

Nanael Soubaim disse...

Fogão e geladeira são a síntese da subsistência familiar, é natural que esta seja ponto de encontro e de comunicação, já que o fogão é laboral demais para essas miudezas.

Patty disse...

Minha mãe também nunca gostou de coisas na geladeira. Eu meio que peguei a mania dela. Só tenho 3 imãzinhos de coração na frente, do lado botei uma bonequinha russa e um imã que imita um vazinho de cacto.
Meu pai guardou um punhado de desenhos. Quando eu tinha uns 10 anos, dei fim em tudo, sem ele saber.
ps.: tem um desenho de um gatinho branco ali, a Sabrina desenhou a Sofia?

Eliane disse...

A Sabrina é artista mesmo, Flá! Pintou até uma réplica de "Rosa e Azul"!! rsrsrs...
Beijos

A Sócia da Light disse...

Gente, as mães de vocês eram duronas, hein? Nem um rabisquinho da geladeira?? Machas pacas. Eu sou a maior babona com isso: quinzenalmente abrimos uma nova exposição por aqui, com novas produções e nova temática. Quando a Olívia entrar no mesmo esquema, acho que vou ter que contrariar Nanael e começar a pregar desenho até no fogão quente, na lava-roupas... :-D

Patty, acertou em cheio, Sasá é LOUCA pela Sofia e desenha a colega todo o tempo.

Eli, o cartão de "Rosa e Azul" foi comprado na nossa visita ao Masp, porque foi o quadro preferido da Sá. Mas ela não fez réplica desse. Por outro lado, um dia baixo aqui a foto de uma reprodução de Modigliani que ela fez e ficou in-crí-vel. Rss! Eu disse que sou babona com isso. ;-]

Nanael Soubaim disse...

Pois a senhora acertou, se eu olhasse para fora da linha, mesmo que por causa de um torcicolo, a vara de marmelo comia. Nossas geldeiras vão para a sucata com a pintura intacta.

Anônimo disse...

Com direitinho a carinha da Olivia!!! Essas minhas sobrinhas são demais mesmo!!!! Dri

Eliane disse...

Vou esperar a reprodução do Modigliani, então!! ;o)