quinta-feira, 27 de junho de 2013

Todos juntos vamos, pra frente, eu e você!

Depois de virar um yakult no meio da cozinha (e em cima da criança) e enfiar uma farpa debaixo da unha, eu admito que o dia não tinha se tornado, assim, colorido. O cinza lá fora dizia o mesmo, assim como a garoa fina marcada para qualquer momento decisivo, como estender as roupas lavadas ou sair pra comprar qualquer coisa na feira.

Aí eu tive más notícias sobre trabalho (mentira, foi sobre o dinheiro que o trabalho renderia, porque notícia ruim sobre trabalho eu tiro é de letra... já o calote...). Aí eu tive notícias não tão boas sobre amigos. Aí a coisa foi ficando, assim, sombria.

Então eu decidi que, sendo o penúltimo dia de aula da mais velha, a gente podia enfiar o pé na jaca e fingir de rico e pedir um almoço japonês pelo telefone. Melhor, pela internet, coisa de rico classudo e moderno. Eu pedi mesmo, pedi até rolinho primavera pra acompanhar. E o aviso de 40 minutos pra entrega se traduziu em 1h30, o que me obrigou a fazer um macarrão instantâneo pras meninas - sim, aquele guardado no fundo do armário, coberto de poeira de farinha de linhaça, destinado apenas a uma possível hecatombe nuclear.

Dado o atraso, saímos às pressas, fora do prumo, que tinha ficado lá em 12h45. Sendo agora 13h15, era abraçar o capeta e correr. E corremos, mas, lógico, dentro do modelo civilizado de estar em chamas por dentro, mas respirar fundo pra ir aplacando esse fogo. Aplacamos antes de o portão da garagem fechar. Estávamos começando a achar por bem cantar "Pai Francisco entrou na roda" quando um homem aparentemente não-medicado pelo psiquiatra sentou com a mão na buzina. Porque o semáforo abriu. Há dois segundos.

Bom, a gente abanou a mão pra ele em sinal de 'bandeira branca, amor, não posso mais, pela saudade que me invade eu peço paz'. E seguimos.

Na quadra seguinte, apinhada de automóveis, uma senhora jogou seu carro de lado, no espaço onde estariam carros estacionados, e... bem, "cortou caminho" para chegar primeiro no farol. Passou, trincando rodas, e partiu. Nossa.

Foram mais dois quarteirões de taxistas em fila dupla e um garoto que simplesmente parou no meio da via de mão dupla pra deixar a caranga furiosa com o manobrista. Desejei, secretamente, que o manobrista fosse aquele que pegou a Ferrari guiada por Ferris Bueller. E que ele tenha tido um dia divertido.

Crianças entregues, tarefa cumprida, entre mortos e feridos salvamo-nos todos. Eu espero que todos. Porque, ó: eu sou a mais favorável a sair na rua em manifestação por um país melhor, mais justo, mais sério. Só que não sei se adianta sair todo de branco, todo de preto, todo pintado, todo manhoso, todo portando cartazes em um dia só na década.

Serve, sim, se a gente sair de casa, também nos outros dias, deixando pra trás o saco estourando de cheio e passar da porta pra rua querendo fazer o país melhor hoje. E amanhã. E todo dia, toda hora. Não adianta chorar e gritar pelo yakult derramado, adianta superá-lo.




2 comentários:

Anônimo disse...

Também concordo que a mudança tem que ser dentro e a partir de nós.

Aqui em BH, imagina 60.000 cidadãos que estiveram no protesto respeitando a faixa de pedestre, devolvendo o troco a mais, servindo um copo d'água ao gari que varre a rua?

São gestos bem sutis mas que podem tomar grandes proporções.

Dri Lacerda.

Paulinha disse...

É...sejamos portadores da bandeira da Paz SEMPRE!!!!