terça-feira, 20 de dezembro de 2011

2012/SS

Eu adoro listas de resoluções de fim/começo de ano. Primeiro porque elas são igualmente otimistas e mentirosas - e eu acho hilário prometer perder aqueles sete quilos extras quando, já na virada, estamos lá chafurdando num perfil gostoso. Depois, porque listas são um tratado com a gente mesmo; e tem coisa mais humana e mais bonita que resolver coisas com a gente mesmo?

Não interessa que a resolução seja fogo de palha e passe 365 engavetada. Interessa é resolver, porque pelo menos aquilo vai ficar latejando na cabeça e, ué, vai que acontece?! Não por obra divina, mas por nossa obra mesmo. De tanto mentalizar, a gente acaba se convencendo a fazer. Meio "O Segredo" isso? Não sei, não li "O Segredo"... Olha minha primeira resolução para 2012 aí! 1) Ler livros que se tornaram best-seller mesmo tendo um tema absurdo e que eu avacalho sem ter lido, assim posso falar (mal) com sapiência.

Uma boa resolução de ano novo, porém, na minha opinião, tem nada a ver com essas bobeiras estéticas. Perder aqueles sete quilos mencionados no início? Só se for pela saúde, hein, não pra caber numa calça jeans 38. Até porque, as calças jeans 40, 42, 44 e 46 estão aí pra isso. Emagrecer, melhorar o guarda-roupa, tirar aquela pinta suspeita, passar mais vezes na academia que na padaria - tudo isso só vale se for pelo puro prazer de envergar uma carcaça mais produtiva. Funilaria e pintura sim; SÓ funilaria e pintura não, ok? E aí vem mais uma pra mim: 2) Algum esporte, mulher, qualquer esporte! Vamos, se mexe, acha um jeito e acha um tempo! O estúdio de pilates fica a exatos 35 metros daqui, fazfavor?!

Resolução de ano novo que começa errada por definição também não presta. Não me venha com essa coisa de trocar de carro; venha-me com trocar o carro pela bicicleta, pelo metrô, por patins roxos com cadarços amarelos! Se é pra resolver mudar, muda com gosto. Nada de redecorar a casa e pintar a parede "pérola" com tinta "palha", tá? Esqueçamos que o Brasil é esse reino do "verde, amarelo, azul e bege" na hora de decorar: vamos direto aos vermelhões, ao ocre estiloso, ao azul-caribe e ao roxo-berinjela. 2012 tem que ser mais ousado. Pronta pra determinar aqui a número 3. 3) Dar fim à lista de pendências desse apartamento e fazer sumir aquele banheiro mofado, escuro e relaxado que parece a toca de um roedor. Olááá banheiro que dá gosto!

E sim, eu acho boas essas coisas todas estruturais e práticas, mas cadê sonho, né? Carro, casa, carcaça... Tudo lindo, mas onde ficam nossos anseios, nossos desejos mais sentimentais? Anote, sim: 4) Caribe; 5) EuroDisney; 6) Barcelona; 7) Washington com Boston com Chicago com uma paradinha em Nova York e quiçá uma espiadela ali em Nantucket. Lista de resolução que não inclua uma ou mais viagens deve ser sumariamente inflamada com querosene.

A lista boa, só pra ficar claro, também deve incluir namorados, casamentos, descasamentos, bebês, adoção de bichos (e de bebês, por que não?), reconciliações, pedidos de desculpas por carta, fone ou video, jantares à meia-luz, atividades em grupo, atividades em solitário e toda sorte de barbaridades que a gente achar que vai melhorar nosso astral.

Falei em astral? Bom. Minha oitava resolução tem a ver com ele. 8) SS. Sem Surtar. Neste ano que entra eu tenho a árdua tarefa interna de fazer minha vida sem surtar. Parar com os chiliques por falta de dinheiro e ir ganhá-lo. Deixar de dar pipocos quando alguém fica doente achando que estamos todos condenados à morte (quer dizer, a gente está condenado à morte por definição, mas não precisa ser hoje e devido a um vírus letal desconhecido comedor de carne). Acabar com esses ataques de choro por motivo torpe e com as sapateadas por mazelas nem mesmo comprovadas. SS.

Se em 2012 eu surtar 10% menos, tá valendo. 20%, vai. Lista tem que ser aposta alta. Nada de prometer subir de estagiário pra junior. Mira logo na diretoria! E se acontecer uma gerência, ó que delícia?! Acho que chutar alto e se satisfazer com um pouco a menos é sensato. Arriscar pouquinho e se espantar com o extradiordinário acontece muito menos - porque nós somos humanos e preguiçosos. Deseje muito, queira bastante, curta o qualquer coisa que for conseguido!

2012 vem aí e eu resolvo abraçá-lo de corpo, alma e malas prontas. Você também?

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Um muro de enorme distância

Outro dia uma conhecida convidou para visitar a casa dela. Lindo prédio, maravilhoso apartamento, daqueles com mil cômodos, salões coletivos de tudo quanto é coisa, quadras, piscinas, pistas de caminhada... devia ter até um portal mágico pro paraíso, mas esse eu não vi. Lá pelo meio do já manjado "tour-pela-casa-nova-não-repara-a-bagunça", a moça me diz assim: "é uma delícia aqui. São dois por andar, mas as entradas são independentes e eu nem vejo quem mora ali ao lado".

Ela não disse por mal, claro. É uma ótima pessoa, muito gentil e generosa. Ela só quis dizer que a privacidade do lugar era mesmo um espetáculo. Eu até aceito que muito adorem isso, essa separação de entradas, paredes desconectadas, muros altos e a chance de jamais saber que cara tem o vizinho. Aceito, mas não entendo bem.

Pra maioria de nós, o vizinho é o humano não-família mais próximo que existe. O núcleo familiar de fato fica ali, dentro da residência, mas o restante dos parentes mora em outras ruas, bairros, cidades e até estados e países. Eu, por exemplo, estou a 33km em linha reta ou 1h20 de tráfego intenso da casa da minha mãe. Se me faltar um ovo pro bolo já batido ou se me dá um troço nas costas, adianta nada ligar lá pra santa mãe, viu... Até ela checar, o bolo já desandou e o travamento ortopédico pode me deixar pra sempre com a postura do Quasímodo.

A pessoa mais próxima, aqui ao lado, é o Marcelo. Marcelo é meu vizinho de porta, é artista famoso, toca muitos instrumentos e reclama bastante das portas que o povo do prédio deixam abertas. Marcelo também viaja muito se apresentando, então não contamos um com o outro pra coisas práticas. Mas sempre batemos um papo sobre música, sobre o Rio de Janeiro, sobre o calor/frio horrendo que vem fazendo.

Saber que cara o Marcelo tem, como o cabelo dele fica zoneado de manhã (ó, eu só sei porque às vezes nos vemos quando eu vou tirar o lixo, hein?!) ou o que ele acha das UPPs não compromete em nada a minha privacidade. Eu sei algo dele, ele sabe algo de mim e, precisando, temos os telefones um do outro - pra caso de "Flávia, seu apartamento virou uma bola de fogo!", quem sabe.

Além do Marcelo tem a Dona Lucy, que mora aqui abaixo e já recebeu muita encomenda pra mim (e eu pra ela). Tem a Flávia, que divide o apê com a Juliana, e são duas meninas fofas e que recebem amigos bonzinhos que não fazem farra. Tem a Isabel, seu marido e seus três cãezinhos no térreo, vizinha de porta com a Rosinha e o Jefferson, dois figuras de marca que às vezes queimam o almoço de domingo por estarem ligados no futebol.

Eu sei algo dos meus vizinhos, de seus hábitos, de seus gostos e suas vidas no geral. Não precisamos ver uns aos outros de pijama - mas já até aconteceu. Não é questão de um se meter na vida do outro ou invadir espaço, mas somos uma coletividade, não tem como negar.

Eu sei qual TV a cabo eles assinam, qual banco utilizam e onde compram roupas - tudo pela mesa de correspondência. Sei algumas músicas que escutam, sei uns paus que rolam quando brigam, sei que carro dirigem (e como estacionam mal na garagem, putz...). Saber tudo isso, saber os rostos deles e estar aqui caso dê uma grande merda faz parte de sermos uma comunidade. Eu acho bom isso.

Antigamente algumas pessoas viviam em vilas e partilhavam tanto xícaras de açúcar quanto a hora de olhar as crianças brincando na rua. Todo mundo estava ali pra todo mundo, as casas mantinham portas abertas e janelas boas pra apoiar o cotovelo e trocar uma ideia. Hoje quase não se trocam mais ideias. E se o vizinho de condomínio toca a campainha pra pedir um sonrisal, já é motivo pra pânico.

Uma besteira isso. Nós, pessoas, dependemos umas das outras. E se existem pessoas que podem acompanhar nossa rotina de perto nas horas boas e ruins - e ainda regar nossas plantas e evitar que elas virem pó seco -, são os vizinhos. Quando dá um xabu federal, por exemplo, é importante a gente saber quem mora ao lado. Por exemplo: há um ano aquele rapaz que está com prisão decretada por ser suspeito principal de mandar matar a ex-namorada, a advogada Mércia Nakashima, está foragido. Foragido onde, eu me pergunto. Em Atlântida?

Onde quer que esse sujeito esteja, ele tem vizinhos. Ele precisa receber comida, roupas, ajuda. Alguém poderia olhar pra casa ao lado e notar o homem, por favor?

Meninos e meninas são sequestrados e passam ANOS na casa ao lado - e quando a polícia finalmente se toca, os vizinhos vêm com aquele "nossa, eu nunca reparei". Não se trata, de novo, de bisbilhotice. Se trata de interesse pelo outro e por nós mesmos.

Custa nada, quando chega um vizinho novo, ir lá levar um bolinho, uma violeta. É o convite pra uma relação ótima, seja o vizinho aqueles que flutuam pela casa quietos como a brisa, seja o vizinho baterista do Korn. Formar uma boa relação, próxima e sadia, é bom até pra isso: pra ter a liberdade de ligar lá em cima um dia e dizer "Temístocles, abaixa essa merda de rádio que eu não aguento mais a Ivete Sangalo cantando dentro em minha mente? Brigada, lindo, te adoro!".

A palavra vizinho vem do latim vicinus e quer dizer "que vive perto" ou "próximo". Eu sou a favor de sempre conhecer o próximo.

Tem gente que era fã de Friends, mas não reconhece
a fuça do próprio vizinho

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Fala que eu até escuto

Se eu fosse ouvir tudo o que me dizem, minhas filhas teriam que almoçar carne, peixe e frango - e mais um ovo frito, talvez - pra dar a conta de toda proteína sugerida.

Se eu fosse ouvir tudo o que me dizem, eu mudaria pro campo e pra praia simultaneamente, pra ter um ar melhor combinado com uma alimentação mais sadia e espaço pra correr. Moraria, quiçá, ali na mata que fica na serra entre Suzano e o litoral paulista...

Se eu fosse ouvir tudo o que me dizem, pararia a vida toda, largaria meus três tipos de ganha-pão, e passaria o dia entre pintar porcelana e tirar sonecas. Porque, segundo dizem, meu problema é que eu sou estressada.

Aliás, se eu fosse ouvir tudo o que me dizem, meu problema seria estresse, excesso de zelo, falta de zelo, culpa católica, tendência ao ateísmo, cuca muito fresca, mania de controle, falta de controle, orgulho demais, vaidade de menos. Se eu fosse ouvir tudo o que me dizem, eu teria até mais problemas do que eu tenho de verdade.

Se eu fosse ouvir tudo o que me dizem, minhas filhas se vestiriam bem demais ("pra que tanto vestido?") e bem de menos ("deixa a menina usar uma camiseta com fio puxado?!"). Se eu fosse ouvir tudo o que me dizem, elas também estariam gordinhas demais e magrinhas demais, muito altas e muito baixas, muito brancas, muito vermelhas e muito amarelas. Ah, e elas também comeriam chocolate demais e de menos e seriam muito mimadas e muito desprezadas.

Se eu fosse ouvir tudo o que me dizem, eu teria um apartamento de condomínio de 250 metros quadrados, quadras poliesportivas, academia, portaria 24 horas, salão de baile, seis elevadores e mensalidade milionária. Mesmo eu não gostando de absolutamente nada disso.

Se eu fosse ouvir tudo o que me dizem eu teria que trabalhar em tempo integral e contratar babá, empregada, cozinheira e motorista - e também teria que largar tudo isso e cuidar tempo integral da minha vida por conta própria. Só porque as pessoas não se decidem sobre o que acham mais saudável.

Por sinal, se eu fosse ouvir tudo o que me dizem, eu seguiria a alopatia, a homeopatia, a antroposofia, beberia litros de florais, usaria uns unguentos aqui e ali e faria sessões com um xamã. Tudo junto.

Se eu fosse ouvir tudo o que me dizem eu iria uma vez por semana ao cinema, uma vez por semana ao cabelereiro, uma vez por semana jantar com as amigas, uma vez por semana fazer massagem, uma vez por semana na psicóloga e passaria o fim de semana numa pousada de charme à sós com meu marido. Se eu fosse ouvir tudo o que me dizem, eu seria uma mescla de Angelina Jolie com Imelda Marcos!

Se eu fosse ouvir tudo o que me dizem, já teria parado de ouvir tudo o que me dizem. Porque todo mundo é gentil e tem boa intenção ao dar conselhos, mas ainda acho que, na prática, a teoria costuma ser outra. E a gente segue fazendo o que pode e como sabe, né?

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

É moda

Tenho nem vergonha de admitir que estilo para vestir nunca foi o meu forte. Exceto por algum relance (bem) esporádico, meus conhecimentos e habilidades nessa área são pra lá de limitados. Eu não combino bem cores - a não ser que usar preto com preto seja uma combinação. Eu não jogo bem com camadas, com acessórios e não sei um nhé das tendências.

Visto só o que eu acho bonito e que fique confortável. Isso é o máximo que eu sei fazer com moda - botar um jeans, uma blusa, um sapato razoável. E nem adianta dizerem "ahh, mas pelo menos seus sapatos são legais!". Eles são mesmo, mas pelo mero acaso de o meu bairro ser um desses redutos de gente ananaíra bem-lançada que vende uns sapatos bons de usar E engraçadinhos. E, sendo sincera, eu só compro porque são bons de usar. Se fossem apenas engraçadinhos, eu passaria reto.

Tudo isso é culpa de uma criação que não privilegiava o estilo, de uma verba curta pra coisa toda e de uma certa ojeriza a lojas e provadores. Tenho um bode tremendo de explicar minhas preferências pra vendedores (principalmente para aqueles que acham que, se brocado está na moda, eu devo usar brocado. Eu abomino brocado. E esse é um bom exemplo da minha intimidade com a moda, já que o brocado não é algo válido desde 1976).

Gosto mesmo é de lojas de departamentos que colocam tudo lá e a gente que se vire. O problema é que, além de sem-estilo, eu também sou um chute no saco quando se trata de roupa. Acho quase tudo feio, bobo, de qualidade duvidosa e custo elevado. Ou seja: pode ter lá a maior loja do mundo, com 50 mil cabides... a chance, ainda assim, de eu achar algo que goste é menor que a chance de o Paul McCartney ligar aqui em casa e me chamar pra comer churros.

Vou vivendo assim, à margem da moda, mas com um certo desagrado. Eu queria saber mais, usar melhor, comprar com gosto. Mas é difícil. Veja como é difícil.

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De uns quatro meses pra cá, eu perdi uns 6 ou 7 quilos. E nem adianta cumprimentar, visto que pra mim magreza não é virtude e que esses quilos se esvaíram por estresse e baixo astral... Por sorte, passou! Mas os quilos ainda não voltaram.

O caso é que eu acredito que em breve os quilos voltarão, sim. E as calças que agora me caem pelas cadeiras, como fazer? Mantenho pra usar quando voltar a ser rechoncha? Dar embora e comprar novas, mais acertadas? Comprar uma nova, mas manter a velha, pra ter aquele versátil "guarda-roupa de magra - barra - guarda-roupa de gorda?

Eu acho que os suspensórios seriam a melhor solução... Vou apanhar das fashionistas na rua?

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Tudo bem, tem loja com vendedor chato, música ruim no áudio, preços esclerosados, etc.. Mas nada se compara, na questão demoníaca, aos cabides que elas usam. Eu tento ser cliente discreta e delicada, passando as peças lentamente pra ver direitinho... mas não tem uma vez que a porra da camisa/camiseta/vestido fica parado no cabide. Devem passar vaselina naquelas hastes. As roupas se atiram no chão sempre, me causando o maior desconforto.

A Julia Roberts ficou avexada por ter sido posta pra fora da loja chique em "Uma Linda Mulher" só porque a moça achou que ela era pobre e rameira? Imagina derrubar um monte de roupa do cabide por 36 anos, o trauma que causou em mim!

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Quando eu era criança, a moda não me dizia nada. Adolescente, ela ainda não me dizia nada, mas pelo menos eu sabia que me vestia mal, e aí sim começou a ser problema. Teve um dia, por exemplo, em que eu me vesti pra ir no bailinho de uma amiga (ocasião adolescente anos 80 equivalente a Baile de Gala do Met pras socialites americanas de hoje). Ficou "tão bom" que o meu irmão me agarrou pelo braço e me levou trocar de roupa.

Mandou tirar a saia escrota e colocar uma calça jeans básica. Mandou colocar a camiseta branca, dobrou as mangas pra ficar cool, descolou um cinto da nossa irmã mais velha e, cabelo solto penteado e mais uns acessórios, ficou um show. E meu estilo básico ousado (apesar de ser uma fraude) me tornou a sensação daquela festa.

Agora me digam se uma garota que, adolescente, precisou da ajuda *do irmão mais velho heterossexual e baixista de banda* pra se vestir teria alguma chance com a moda nessa vida.

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Esses programas da TV em que os apresentadores se lançam na tarefa de tirar o mau gosto do mundo consertando um cafona de cada vez são meu guilt pleasure. Adoro a tiração de sarro, a postura estúpida dos envolvidos, as dicas. Ah, as dicas... Compreendo todas, mas acho que uso nenhuma.

A primeira coisa que eles sugerem, por exemplo, é que a pessoa sem estilo (como eu) não seja gado e pare de comprar na mesma loja, as mesmas coisas, nos mesmos modelos só trocando as cores. Bem, até o fechamento dessa edição aqui, eu possuía quatro camisetas da mesma Luigi Bertolli em quatro cores distintas.

Caiu bem a peça, eu juro! Ok, já pode chamar o camburão... Eu aceito ser condenada por falta de moda.

Meus companheiros nessa luta!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

E um feliz Dia dos Mortos, por que não?

Percebi que existe a corrente do "abaixo o Halloween, seus colonizados de merda!". Quanto ódio, credo. Acho que esse pessoal poderia ser menos raivoso e sombrio e se unir no espírito de brincar um dia que nasceu foi no México e seguiu aos países latinos pra celebrar os mortos - e só daí é que bateu lá nos EUA como o Dia das Bruxas.

O Dia dos Mortos, ouvi dizer, é divertidíssimo nos países latinos de colonização espanhola. Tem feiras e mais feiras vendendo toda sorte de barbaridades como crânios, fantasias, badulaques e muitos quitutes (latinidade, teu nome é "comida"). Como adoro manifestações populares, sempre tive um apreço pelo Dia dos Mortos e pelo seu parente imigrante, o Halloween.

Não me ofende em nada a palavra em inglês, até porque nosso Dia de Finados, em português, não serve como tradução nem paralelo, é outro caso. O Dia do Saci tentou emplacar, mas parece que o carisma do moleque ainda não pegou. Tomara que pegue. E, enquanto isso, eu vou ali deixar minhas filhas se fantasiarem e brincarem com maquiagem de zumbi e desenhar aranhas e fazer origamis de morcego pra pendurar na casa toda. Morcego frugívoro brasileiro, eu juro!

Perda de tempo esse anti-americanismo bobo de gente que também toma Coca-cola e quer arrotar Tubaína mas não consegue porque a carne é fraca. Vamos deixar as coisas divertidas da vida se ajeitarem como podem, ave... Aqui, fizemos uma adaptação: declinei solenemente o pedido da Sabrina pra sair fantasiada pelo prédio requisitando guloseimas; em vez disso, combinamos que seria muito mais legal fazer guloseimas e ir levar aos vizinhos por eles serem bem bacanas.

Passamos a tarde confeccionando bolinhos de lama (chocolate) cobertos com pus (beijinho) e com um twist de sangue coagulado (geléia de framboesa - e eu tive pra passar horas explicando o que é "coagulado"). Foi divertido e Sasá e os vizinhos amaram. A roupa preta vai hoje pra lavar e os morcegos de papel vão ficar pendurados até começarem a aparecer teias de aranha de verdade.

Qualquer desculpa pra curtir um dia diferente e desmistificar a morte e seus meandros fazem bem ao nosso dia a dia tão sério. Então feliz Dia das Bruxas, dos Mortos e de quem curte um dente de vampiro!

Happy... Dia do Saci, sei lá!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Abre a porta e a janela

Minha relação com casas - não só a minha própria, mas todas as casas - é muito intensa. Eu sempre vou me lembrar de míseros detalhes de todas as casas em que eu morei. E boto reparo na casa alheia sim. Mas não, eu não noto as roupas jogadas no canto, as migalhas na mesa do café ou a louça suja na pia. Eu olho mais o todo. E não entendo a relação que algumas pessoas têm com as casas.

Acho que casas são substantivos concretos com uma alma dentro. Tem parede, porta e janela feitas de cimento, tijolos e madeira. Mas elas têm cada uma sua personalidade. Casa é que nem gente, só que melhor.

As casas ganham a nossa cara quando vamos morar nelas, mas também impõem a sua ordem. A gente pinta a casa de cor de rosa Barbie pra ficar uma casa assim bem menininha - e aí os anos passam, a tinta desbota e a casa da Barbie peituda, esguia e loirona vira uma casa de vovó doce que aprecia um tonzinho salmão.

Tanto é verdade que as casas têm alma que basta a gente entrar em uma pra sentir uma vibe. Às vezes boa, às vezes nem tanto... todas têm um ar diferente, um cheio nesse ar, um tipo de conforto ou desconforto a oferecer. Gente que procura casa pra comprar ou alugar vai concordar com isso: entra-se em uma e dá vontade de sair correndo; entra-se em outra e, pronto, dá aquela sensação de lar. Vai entender essas casas. (Mas eu acho que as de vibe ruim só não encontraram seu caminho ainda, elas vão melhorar...).

O que não dá mesmo mesmo pra entender é gente que não percebe nem respeita a alma de uma casa. Tem lá quem compre 500 delas e bote tudo pra alugar sem nem dar uma pinturinha ou arrumar o portão quebrado. E aí vai outro e, muito pior, mora na casa sem nem dar uma pinturinha ou arrumar o portão quebrado! Falta de respeito, credo. Alugada, própria, emprestada, possuída... a casa é nossa, temos que fazer o melhor por ela.

Quando compramos o apê que hoje é nossa casa, o apelidamos carinhosamente de "pedaço de Saigon" (ok, a alusão só vale pros nascidos antes de 1980 que entendem a metáfora vietnamita tão bem lembrada por Emilio Santiago). Era tudo uma lástima, com chão arranhado, conduítes estragados e ladrilhos se soltando como periguetes no Carnaval. Ainda assim, sentamos ali entre os tacos soltos, vimos a luz do sol vespertino entrar e nos apaixonamos. Eu me senti em casa desde o minuto #1.

Tinha alma, esse lugar. E me doeu bem pensar que os que moraram aqui antes não viram isso. Eu sei que eles não viram porque, no batente da porta do quarto havia um tremendo talho - produzido pelo homem pra passar um fio de TV a cabo. De verdade: quem abre uma cicatriz numa madeira de 60 anos de vida, num apartamento de 60 anos de vida, pra passar um fio? Que gente é essa que não sabe ter capricho e nem carinho pela alma da minha casa?

Eu ando pelo bairro e vejo casas e mais casas à venda e pra alugar. Todas com mato alto na entrada, todas com telhas soltas, todas tristes e sozinhas, passando frio e fome de vida interior. Eu olho pra elas e tenho certeza que queriam ter crianças em seus jardins, cachorros roendo seus móveis, adultos brindando as festas de fim de ano. Todas foram fixadas na faixa do milhão pra mais - e por mais que eu respeite o direito à propriedade, tenho um certo asco da especulação e como ela fere a alma de casas tão lindas deixando-as assim, largadas por não terem um dono que se importe.

As casas querem ser moradas. Querem ser recheadas de gente, de vozes, de decoração brega e bibelôs trazidos de viagem. Querem ter fotos espalhadas nelas e alguém que lhes dê um banho de verniz, um balde de água e um almoço de domingo. Querem ouvir nossas canções no rádio e no gogó, querem abrigar nossos dias bons e ruins e preservar nossos pertences bem no coração delas.

Porque toda casa precisa de carinho e afeto pra formar uma alma dela e nos ajudar a formar também a nossa.

Minha casa tem alma, e que bonita ela é

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Alô, fã do esporte!

Eu gosto muito, muito de esportes. De todos eles.

Eu curto muito ir a estádios de futebol, por exemplo. Porque, enquanto rola a bola, eu adoro esperar o tio do amendoim passar e comprar um punhadinho - e comer apertando a casca e soprando os excessos. Fico também no aguardo do tio do picolé. Todo mundo torce o nariz porque sempre tem só de uva, mas eu adoro.

Adoro vela também. A cultura da vela, mais precisamente - porque, convenhamos, assistir competição de vela só dá certo quando a gente está bem instalado no barco da juria. Das margens, vê-se nada. Mas é bom notar que é uma comunidade de gente interessante e amiga, sempre contando sobre os portos onde estiverem, as histórias mais empolgantes.

Acho uma delícia ver na TV os jogos olímpicos, panamericanos, de inverno e afins. É nessa hora que a gente se delicia fazendo chacota com as roupinhas da ginástica rítmica e da patinação no gelo; é quando a gente nota a funilaria imaculada do pessoal da natação; é quando a gente até acha basquete e vôlei esportes legais; é quando a gente torce por países com um humilde representante; é quando a gente descobre barbaridades como o curling - e se pega torcendo pros suíços, vê se pode.

Eu também paro pra ver esportes que nem são da minha área, como beisebol e futebol americano. Eu adoro ambos, de coração. Aqueles uniformes são demais, com as calças colantes e os capacetes cheios de marra no caso da NFL e aquele pijama maneiro no caso da MLB. E há que se respeitar esportes onde gente desengonçada, na casa dos 40 e acima do peso tem sua chance!

Tênis também prende minha atenção - já que é mesmo impossível ignorar os "uuu" e "ããã" que esses atletas de hoje cismam em gritar a cada bola devolvida. Seria como ignorar também os figurinos das irmãs Willians ou o tique-nervoso de Rafael Nadal (toda jogada precisa ser precedida por aquela ajeitada na cueca? Sério?).

Eu gosto de ver competições de carro também, porque é divertido acompanhar aquelas marcações todas na tela - e torcer loucamente pro pit-stop ficar abaixo dos 5 segundos. Bom, eu sei que é besta, mas a gente precisa vibrar com alguma coisa nesses dias automobilísticos..

Curto conferir o atletismo como um todo - e acho uma pena não passarem mais provas de arremesso de martelo etc., porque sempre há a chance de alguém acertar aquelas lanças num juiz e fazer história como homicida olímpico. Curto umas porradas bem dadas no judô, no taekwondo e similares. Curto até um bobsled, um esqui cross country e um show do ciclismo (porque, de novo, GRANDE chance de alguém sair voando pelos ares e a gente poder dizer que viu ao vivo).

Eu gosto muito, muito de esportes. Talvez não do modo convencional, mas gosto muito.

Tem como não gostar?