terça-feira, 25 de maio de 2010

Eu não

Acontece que é assim: a gente passa a vida agindo de certas maneiras que, vez por outra, acabam formando uma fama. E quem faz a fama... vocês sabem. Só que antes de deitar nessa cama, só pra deixar claro...

... eu não resolvo tudo de imediato. Eu não posso com o peso de mundo nas costas. Eu não sou pau-pra-toda-obra. Eu não sou uma mãe imaculada, uma esposa perfeita ou uma filha exemplar. Eu não conheço todos os caminhos, eu não cozinho de tudo, eu não tenho todas as respostas. Eu também não sei onde tudo está guardado.

Eu não quero ouvir os problemas de todos. Eu não dou os melhores conselhos. Eu não aceito todas as brincadeiras, eu não tenho paciência infinita e eu não sou à prova de palavras duras. E eu não espero ninguém por mais de 20 minutos.

Eu não trabalho por amendoins, eu não faço tudo pra ontem, eu não gosto de gracinha pro meu lado. E eu não passo por cima de tudo por uma reportagem ilibada, mas eu também não faço nada "de qualquer jeito" e nem "do jeito que der".

Eu não sou amiga de fulano, sicrano e beltrano, todos ao mesmo tempo, pra sempre e até no plano virtual. Eu não dou carona pra qualquer um, eu não vou na casa de qualquer um e eu não faço brindes com qualquer um.

Eu não tenho todo o tempo do mundo. Eu não desculpo qualquer coisa. Eu não sirvo bem para servir sempre e eu não dou aos pobres pensando em emprestar pra Deus. Eu não dou a outra face, eu não aceito que o mundo é dos espertos e eu não concordo que o cliente tem sempre razão.

Enfim, eu até criei essas famas de durona, de independente, de ser rápida, sincera e engraçada. Mas eu não sou só isso, não. Tudo bem? Ou não?

9 comentários:

Anônimo disse...

Posso colocar meu nome aí no final do texto? Ai ai... Dri

mihuda disse...

tão bonito se auto-conhecer e saber os próprios limites, eu tenho problemas com os meus... e acho isto um saco.
diria algo como: eu não... me conheço direito!

Fabiana disse...

Queria ter escrito alguma coisa assim. Me identifiquei muito com o que vc escreveu, lembrei do Poema em Linha Reta, do Fernando pessoa.

A Sócia da Light disse...

Dri, seu nome divide moralmente a autoria. E já passou da hora de dizermos "show us the money", não?! :-]

Paulinha, honey, até é mesmo um auto-conhecimento - mas acredito que meio tardio. Você que é jovem (cof, cof, ai, minha filha... rs!) comece a se conhecer (e proteger) bem já! Senão o povo abusa, tô avisando.

Fabs, não conheço o poema ainda, mas estou correndo procurar! E fica a liberação pra imprimir, grudar na porta da geladeira e dizer que é seu. ;-]

mihuda disse...

Ah, tell me about it! O povo já abusa! :/

Nanael Soubaim disse...

Eu não acredito em famas, sempre busco a pessoa que a sustenta, quando me interessa. Só conhecere seus limites não te livra de abusos, é preciso erguer a espada de vez em quando.

A moça anotando o mundo disse...

A muié tá braba!

Menina-que-quer-ser-escritora disse...

Acho q este post que uma amiga escreveu e eu postei no meu blog, tem tudo a ver com esse seu texto. Entra lá, acho q vc vai curtir!
http://casadamenina.blogspot.com/2008/12/sobre-o-reconhecimento-do-intolervel.html

Moniquinha disse...

Epa!!

parece que foi escrito por mim..rs

tem horas que é preciso dar umas,se não o povo abusa.]
Dá não!