sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Brincadeira animal

Eu circulo naqueles corredores de pet shop com um misto de paixão e desapontamento. A paixão vai direta e reta para os bichinhos, todos tão fofos e lindos - e, sim, eu falo dos cães, dos gatos, dos coelhos e até dos camundongos, aqueles Jerrys bonitinhos e branquinhos cuti-cuti da tia! O desapontamento, que tem a mesma proporção, vai para os humanos. É que fora os gatos e cachorros, que estão tabelados de acordo com raça (o que por si só já é um acinte), os demais bichos custam, cada qual, o preço médio de uma Barbie. Agora me explica como um animalzinho vivo e saltitante pode custar o mesmo - ou mais barato - que uma boneca plástica de olhar fixo?!

Aí eu explico por que fui circular justo no pet shop e sentir tudo isso: faz uns dois anos que a pequena Sabrina insiste em ter um peixinho. E há dois anos que eu dava o contra, dizendo que ter um bicho é grande, enorme responsabilidade e ela só teria isso maior... com 5 anos, vai. Pois os 5 anos chegaram, e como promessa é promessa...

O fato de a Sá ser mesmo uma menina calma, boazinha e amiga de todos os integrantes do reino animal contou muito. Se eu fosse mãe de um demônio que puxa rabo de gato, não passaria nem na entrada da loja. É que tem criança criada pra ser cínica com os animais, eu acho. São filhos daquela gente que acha que se o peixe/hamster/ coelho/passarinho morre, "compra outro, uai". E, bicho em mãos, deixa o pivete agarrar, arrastar, apertar, bolinar, lavar, passar, tudo aquilo. Eu, de outra forma, não acho que bicho é brinquedo.

Não acho que criança pequena deva ganhar bicho assim, como se fosse objeto de catálogo. Se os pais querem o animal mesmo assim, pra ELES cuidarem, ótimo; se o bicho chegou na família antes mesmo do infante, maravilha; se a criança se der bem com o peludo e o peludo com a criança, então tá bem. Fora isso, melhor deixar pra mais tarde a adoção de um bichinho (MUITO melhor do que a compra, que prevê preço pra um ser vivo, o que é meio cruel). Quando o pequeno tiver mais idade, será mais simples fazê-lo entender que os animais também tem sentimentos. E a coisa vai rolar só com a paixão, sem o desapontamento.


Ariel nos dá o prazer de sua companhia, assim como Sebastião e Mari
(escondidos da foto dentro da casa do Lula Molusco)

9 comentários:

Paula Baltazar disse...

Que coincidência, Flá!
Hoje no trabalho eu estava conversando com uma das meninas sobre como é errado comprar um bichinho, é como se você comprasse um amigo!

P.S.: Agooora sim eu vi a Ariel! ;-)

Nanael Soubaim disse...

Vai ser bom para a baixinha.

Mari Z. disse...

Como disse o Nanael, vai ser muito, muito bom pra Sasá ter um bichinho em casa. A responsabilidade aumenta bastante, e nem se compara a cuidar de um daqueles bichinhos virtuais, tamagochis e afins -- que muitos pais usaram como desculpa pra substituir um bicho de verdade, credo.

E ótima postura a sua de só deixá-la ter um bichinho aos 5 anos... aposto que ela vai cuidar da turma com o maior carinho! ;-)

mihuda disse...

Sabe Flá, vc devia escrever um livro de como educar pais para que estes eduquem os filhos. Concordo completamente com você. Os três animais que temos em casa foram adotados. Super lição esta pra Sá também, minha irmã ganhou peixinhos quando tinha mais ou menos esta idade, e cuidava direitinho. Hoje é dela a responsábilidade de cuidar da caixinha de areia dos gatos.
Já meu irmão ganhou peixinhos aos 4. Acontece que ele se preocupou tanto com o bem estar dos pequenos que para protegelos dos pernilongos (somos alérgicos desde sempre, então isto era um grande assunto em casa) jogou um Protector elétrico tirado direto da tomada dentro do aquário. Acabou fritando os bichinhos. Ele ficou desolado, tadinho.

Dri_ disse...

Há!
E depois de me cobrarem (e muito) um filho, agora me cobram um cachorro pro filho!


Uma criança de 3 anos que ainda não limpa o bumbum sozinha, não poder ter animalzinho e nem ir ao McDonalds, faz favor!

Dri_ disse...

Ficou estranho o 2º parágrafo, né?

Eu quis dizer que uma criança só pode ter um animalzinho pra chamar de seu e lanchar no Mc, depois de saber limpar a própria bunda!

Acho que agora fui mais clara :)

Gabi Petrucci disse...

Foi como se eu estivesse ouvindo minha mãe falar!
Você está certíssima!
Não sei como muitos pais conseguem permanecer alheios a situações assim...
Beijos, Flá!

A Sócia da Light disse...

Dri, eu AMO esse povo que cobra coisas dos outros... Tão cômodo, né? Tem uma que "me ameaça" toda vez dizendo que vai dar um cachorro pra Sabrina, que criança precisa de bicho, etc, etc..

Bom cuidar da vida alheia assim, né, à distância? Mas quando a coisa engrossa, esses são os primeiros a pular do barco.

Moni disse...

Flá, Julián começou já a pedir cachorrinho. Nem consegue falar direito ainda e ele já quer cachorrinho, hahaha

Falei para ele, igual que vc, que poderiamos conversar sobre isso mais para frente!