segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Lá vem a louca, toda de branco...

Duas moças chegadas minhas estão em vias de casar. Como elas são chegadas, mas não muito, eu estou controlado como nunca a minha língua. É que o tema "casamento" é assim mesmo, capaz de suscitar toda sorte de palpites. E, eu acredito, essas duas não hão de querer nenhum palpite meu.

Não sou contra casório, não, que é isso! Seguidora de Mirtes que é seguidora de Mirtes adooora enlaces regados a vinho branco, docinhos e lágrimas de alegria. O caso é que eu sou a favor do casamento, mas atavicamente contra a loucura. Sabe a noiva que começa a calcular tudo com um ano de antecedência, só fala no assunto, pira fazendo a lista de convidados, ralha furiosa com fornecedores e vira a Bridezilla? Então: eu odeio essa mulher.

Odeio o conceito de noiva fulltime. A desgraçada não fala de outra coisa e vive praquilo, mas em vez de encarar o casamento com ternura e carinho e como ele deve ser - o ritual de dizer ao amor da sua vida que, sim, ele é o amor da vida e que a união tá fechada, lacrada, cospe aqui -, ela vira um misto de organizadora de eventos com Veruca Salt.

A endemoniada não quer saber se seu querido noivo está feliz pelo acontecimento; ela só quer que a cor dos guardanapos de linho seja pérola-rosada, escolher noivinhos de bolo originalérrimos e que haja um quarteto de cordas pra humilhar o casamento da prima, que optou por um DJ. De casamento, passa a ser evento. De evento, passa a ser negócio. E de negócio, pra virar um belo saco, é um pulinho.

Eu não tenho mesmo paciência com essa fase que certas noivas passam. E não tenho mesmo nada a acrescentar às ideias delas. Quando eu e o Dono da Casa juntamos os All Stars, tudo se deu em três meses. Ele pediu, eu aceitei bate-pronto, a gente pulou de felicidade, a gente pulou a igreja, achou uma tia que organizava festas na casona chique dela. A tia sugeriu algumas coisas, eu aceitei quase todas (ela entendia mais do que eu, uai). Fiz questão de jantar legal, bebida classe A+ e músicas escolhidas por mim, uma a uma. Mas, ainda assim, resolvi tudo por telefone mesmo.

Eu amei meu casamento e nenhuma princesa registrada pela Disney poderia querer melhor. Mas, sinceramente, eu estava me lixando pra cor dos guardanapos. Em cinco minutos eu achei que amarelo com laranja seria uma boa paleta e daí por diante foi simples. Simples mesmo. Custou o que nós podíamos pagar - ou seja, um nadica. A verba gorda, nós concordamos, devia ir pra lua-de-mel, esse sim o nosso sonho de casamento.

A festa foi delícia e eu dancei e comi e bebi e gargalhei até às 3h00 - e no dia seguinte vieram Paris, depois Verona, depois Florença, depois Roma. Organizar tudo foi tranquilo e legal em todos os aspectos, sem choro, vela ou gritos porque a tia Neide de Sorocaba "precisava ser convidada, fofuxoo!". Casamento não é isso, né?

Não são as flores, não é o padre, não é o filé com arroz e batatas, não é o camafeu. Não é a marcha nupcial, não são as cadeiras forradas de sarja branca, não são as madrinhas de longo em tons aproximados e, niguém jamais irá me convencer, não é mesmo a tia Neide de Sorocaba. É você, o cara ou a moça, e um compromisso de amor. Só isso. Três meses pra resolver tudo, no máximo, eu juro. Mesmo que as Bridezillas digam e vivam o contrário.


Tá bom, amor, eu também prefiro as toalhas
branco-alasca em vez de cinza-viena!

13 comentários:

Spaf disse...

Só pra comentar que na igreja aqui da frente, as pessoas tocam Carruagens de Fogo ou Assim falou Zaratustra antes da marcha nupcial. Não consigo deixar de imaginar a noiva correndo em câmera lenta, ou imitando os macacos do começo de 2001- Uma Odisséia no Espaço, quando ouço daqui de casa.

Fabiana disse...

Lindo, Flávia. Adoro quando vc escreve um texto pra puxar a orelha.

mihuda disse...

Desde criança eu sonho em casamento de conto de fadas. Mas com o passar do tempo, conhecendo BEM o namorado, sabendo O tamanho da minha família do lado do meu pai, nossa real situação e mantendo com os pés no chão o sonho mudou. E não tem nada de triste nisto. Hoje quando o dia chegar quero uma festa para nós dois e as pessoas que realmente importam, na qual o stress passe longe! Bridezillas tô fora! Melhor eu assisto só pra dar risada! Hahaha

Nanael Soubaim disse...

É uma questão de se perguntar com quem se vai casar, com o felizardo que teve a vida abrilhantada por tua graça ou com a sociedade, que vai à igreja pronta para publicar uma videocassetada no Youtube.

Beolina disse...

onde assina?
eu estou noiva há quase dois anos. noivamos qnd ele se mudou pra outro estado pra trabalhar e agora estamos esperando eu me formar pra acompanhá-lo.
pra nós dois a maior preocupação é a casa: enqto n tivermos condições de manter tudo, nada feito; mas para as outras pessoas é simplesmente INADMISSÍVEL que eu n tenha marcado a data ainda já que pra elas o casamento só acontecerá um ano depois de marcar a data, que é o "tempo certo" das coisas acontecerem, do contrário n dá tempo de organizar tudo e escolher sabiamente as cores do guardanapos. quando eu digo q me formo eu junho, em julho venho pro Rio arrumar a casa e em agosto marcamos a data para provavelmente dezembro ou janeiro, elas riem de mim. e eu rio delas tbm, claro. ;-)

kekeite disse...

Oi Flá! (Sente a intimidade, que abuso! rs)
Nossa! mais simples do que isso só o meu casamento, ele pediu, eu aceitei, nós arrumamos um cafofo confortável pra viver, juntamos nossas tralhas e nisso se passaram 8 anos, só então veio minha filhinha linda que agora fez 1 ano e finalmente só agora vamos nos casar no papel, bonitinho como manda o figurino. E vamos comemorar nós três, como uma família unida que somos, sem os péla-sacos pra atrapalhar. Juntando tudo já fazem 9 anos, e sou muito feliz, sem igreja, sem festa, sem guardanapos e ponto final. Fiquei emocionada com o que você escreveu! Demais!

Mari Z. disse...

I couldn't agree more with you, babe. ;-) Ter uma Bridezilla por perto já é o fim, imagino duas! :-S

Eu penso o seguinte, Flá: se a moça sonha com um casamento de conto de fadas, com vestido bufante, bolo de 5 andares e arautos de mentirinha tocando corneta na entrada, ok (por mais que eu ache tudo isso muito brega). Agora, enlouquecer meio mundo por conta do evento já é motivo pra noiva ter o buquê das solteiras jogado de volta pra cabeça dela, em cheio e com bastante força, hahaha. Pra muita gente, casamento deixou de ser uma festa entre familiares e amigos próximos pra virar o cúmulo da exibição.

Bom, não preciso nem dizer que os planos do casal Mari-Edu têm bem a ver com os do seu casório, né? Vamos trocar uma festa metida a besta por uma comemoração simples e gostosa, e uma viagem de lua de mel dos sonhos! ;-)

Beijocas, querida!

Mari.

A Sócia da Light disse...

Vamos começar invertido: Mari, tô contigo, cata o homem e leva ele pra Itália! Isso é casamento pra sempre! Hihihi.

Kekeite (abuso nada, amor, adoro!), seu casório será DE-MAIS! A Sabrina nunca entende por que ela não está nas fotos do nosso casamento. Sua filhota vai contar isso pra todos, pra sempre!

Beolina, acostume-se ao "prazer" de ter enxeridos palpitando sobre as suas escolhas de casamento... Nêgo não tem o que fazer!! Mas é tapando os ouvidos que a gente é feliz. ;-]

Nanael, falou tudo, honey...

Mihudinha! Eu nunca imaginaria que você sonhava com casamento pompa!! Que fofa! Faça como fizer, que seja do seu jeito, viu?

Fabi... Ai, Fabi... Se eu virar aquelas Mirtes c*-regra, você que me puxa orelha, tá? :-S

Spaf, eu sinto a sua dor. Morar do lado da igreja?? Pior que morar do lado do presídio, com tanta noiva à solta!! :-D

Lina disse...

ahahahahaha... Sempre leio, nunca comento! Hoje não resisti... Flá, seu prazo de 03 meses me caiu como uma luva. A única certeza que eu tenho da minha vida em 2010 é que minha festa (cof! cof! tá mais pra churrasco) de casamento será no dia 01/05. Não sei ainda onde, com qual buffet, qual banda, por quanto! Sei a data, quem é o noivo e quem serão os padrinhos. Sei que não terá igreja, só civil, e que pra isso eu tenho que ir ao cartório 40 dias antes. Já está bom de informação, não? :) Não consegui virar Bridezilla ainda, acho que tem muito tempo pra fazer tudo. Beijo, Flá!

mihuda disse...

É Flá eu sonhava, mas fui descobrindo com o tempo que tudo era bem mais por convenção da sociedade do que realmente meu. Hoje (há algum tempo) SONHO com algo parecido como foi o seu. Simples, mas significativo. Sem stress e com viagem incrível! A gente adora viajar! Meu último primo que casou gastou pra lá dos 100 mil reais no casamento. Nunca que eu tenho esse dinheiro, nunca que teria para isto. Minha família do lado de papai tem mais de 45 pessoas diretas. Acho que nem se tivesse ganho na Mega da Virada teria coragem de gastar dinheiro pra alimentar tudo isto e mais um pouco.
Hoje não quero luxo, me divirto com os que vejo na televisão, mas entendo que não é pra mim. Ainda não sei se vou abrir a mão de um vestido bonito. Mas algo que tenho certeza é que "obrigarei" ele a dançar comigo. Ele odeia dançar, mas acho que uma vez na vida não vai matar, né?
Além do mais ODEIO "WHISKY À GO-GO"!!! :D

A Sócia da Light disse...

CEM MIL REAIS NUM CASAMENTO??? Paulinha, eu gastei bem menos que isso no meu primeiro apartamento!!! Como alguém acha natural pagar esse preço por, convenhamos, uma FESTA? Olha, eu me acho bem "Monica Geller", mas definitivamente não no que diz respeito ao evento de casório. :-]

Lina, noiva de maio, que amor!! Só te digo uma coisa: com calma e bom senso, em 30 dias tá tudo nos conformes. E saber quem é o noivo, de fato, é o mais importante. Haha!

mihuda disse...

Também me pergunto isto, Flá. Foi lindo, mas peramos lá! Pra mim isto é surreal! Também sou meio Monica Geller, mas senti dó do Chandler quando ela quiz usar toda a poupança dele no wedding plan A.

Lady Sith disse...

Faz uma semana que eu entrei para o grupo das noivas de 2010. É até estranho porque eu nunca quis ser uma noiva. Meu sonho de festa de casamento perfeita é ir ao cartório, assinar os papéis e depois irmos eu e ele comer uma pizza. Nunca, jamais e em tempo algum gastaria 25 mil reais em uma festa (que é o que dizem custar em média atualmente).

E é engraçado ver todo mundo sem entender quando eu digo que já estamos vendo apartamento, mas que não temos data para o casório. Parece que todo mundo associa automaticamente casamento à festa.