quarta-feira, 17 de março de 2010

Diga não à obrigação!

Eu queria começar um movimento nacional, quiçá mundial, contra a obrigação para com festas, eventos e afins. É sério: parece que hoje se tornou impossível escapar de certas ocasiões públicas que não são do nosso agrado, não foram ideia nossa, mas alguém achou que devíamos comparecer.

É o casamento da prima distante; é o chá de bebê da irmã do cunhado; é o aniversário do vizinho de mesa no karaokê; é a festa de 15 anos da caçula do chefe; é a festa da firma do marido; é a festa de lançamento do livro de auto-ajuda do amigo de infância do namorado... Ahhh! É festa demais, não é?

Vai ver nem é - mas, juntando todas, a agenda fica dominada por coisas que OS OUTROS querem fazer, não nós. Chega a sexta-feira, eu já começo a computar: rolam no mínimo uns quatro convites do tipo, sendo que a maioria nem é um convite mesmo, e sim uma convocação. "Mas COMO você não vai no bar mitzva do garoto da vizinha??". Sempre me dá uma vontade de dizer diversas coisas, sendo a primeira delas "não indo, ué".

As outras respostas que me ocorrem é "ninguém sentirá minha falta, acredite", "fulano nem me conhece, sei lá por que me convidou" ou "prefiro passar o sábado arrumando o armário de tupperware do que ir nesse negócio". Não é por mal, sabem? Grande parte das vezes, é só por uma imensa necessidade de fazer o que EU tenho vontade.

Penso em pegar um cinema, dormir no sofá, ler meu ótimo livro, passear à pé até a cafeteria e ficar lá por umas horas, comendo bolo e papeando com o Dono da Casa. Penso levar a Sabrina andar de bicicleta, visitar um museu, fazer um piquenique no Jardim Botânico. Sonho com um bate-e-volta na praia, uma fugida até o bairro japonês, uma voltinha no centrão. Penso um monte de coisas, mas aí vêm as obrigações e me soterram antes que eu possa pensar melhor.

Pois ultimamente eu adotei o saudável hábito de dizer "não vou, não". Até dá certo, mas é quase impossível fazer isso e não magoar alguém, passar por malcriada ou virar alvo de comentários nada gentis. Uma pena, viu. Eu sou contra a obrigação - e adoro quando eu mesma convido e a pessoa simplesmente diz "Flá, acho que não, hoje vou tirar o dia pra mim"". Sem mentiras, sem ressentimentos, simples como tirar um band-aid de repente!

O diabo é que nem todos pensam assim, e muitos ainda gostam das obrigações. Gostam delas, vivem delas, fazem questão delas. É aquela turma que, se não convidada pro chá de cozinha da manicure, acha um absurdo e uma desfeita. Eu não acho. Não me convidam, eu acredito que deva ser por motivo pertinente e fico numa boa. Até porque nada com um dia sem a obrigação de estar presente, né?

5 comentários:

mihuda disse...

Concordo Flá. Acho um saco quando os dois dias da semana que realmente tenho pra mim acabam indo embora com obrigações sociais.
Se é algo com o qual me identifico vou com prazer, ainda pergunto se querem que chegue antes para ajudar, leve alguma coisa e tal. Mas ter de comparecer porque fica feio não mostrar a cara é um saco! Porque a questão nem é ferir os sentimentos do anfitrião. Se é uma festa haverão outros convidados para ele dar atenção.

Dri_ disse...

Que texto libertador!!!

Sempre me achei uma ET anti-social porque acho que convite não é intimação (do sentido jurídico da palavra), e fazer uma cunhada e uma sogra entenderem essa frase foi muito difícil.

Eu vou quando quero, e se não, agradeço e mando presente. Às vezes vai só o agradecimento mesmo, sem o presente, porque o que se comprar pro genro (que eu nunca vi)da amiga da sogra?

Tem gente que é o famoso "arroz de festa", né não? Credo!

Gabi Petrucci disse...

Eu odeeeio essas obrigações...
Minha família é cheia dessas e o pior é que essas coisas sempre aparecem de uma só vez!
E pra ajudar, moro em condomínio fechado. Todo final de semana arrumam uma comemoração, um churrasco... Além de eu passar por anti-social, meu pai ainda me obriga a ir! :~

Beijo, Flá!

Nanael Soubaim disse...

As pessoas me perguntam "Como você não gosta de/não se diverte com festa open-bar do DJ McMac?". É tão difícil aceitar que a diversão de uns pode ser o martírio de outros? Desculpem se passo por grosseiro, mas hipocrisia e mentira foram aulas às quais faltei, quando fiz o curso para reencarnação. Me deixem em paz.

M-ly disse...

Já sou adepta desse movimento contra a obrigação! o/

O que me deixa mais chateada é quando fazem a intimação (sim, pq só faltam mandar um oficial de justiça. Rs)e dizem que não podemos faltar ou ficarão chateados e/ou magoados.

Ora, a vida é minha, o fim de semana é meu e eu tenho mais o que fazer (nem que seja ver Lagoa Azul pela 385ª vez)!! huUHuhuh...