terça-feira, 9 de março de 2010

Fala que eu te escuto. Ou não.

Na qualidade de mamãe que trabalha em casa - e, portanto, não larga da barra da saia da filha - acabei me tornando uma observadora dos costumes infantis. Até porque, isso me encanta: adoro notar como ela aprende, como ela descobre, como ela reflete, conclui, resolve ou se atrapalha toda. De quebra, acabo também vendo bastante como se dá o comportamento dos adultos para com os baixotes. E que curioso é isso às vezes.

Uma coisa que eu não imaginava antes de ser mamãe é como se dá pouco ouvido para a criançada. Sério, eu achava que os pequenos, que hoje se tornaram esses "reizinhos e princesas" na maioria dos lares, eram mais ouvidos. Não são. Pais, tios, avós e quetais escutam bem seus berros e chiliques, exigências e achaques... mas não ouvem de fato.

O que é uma tremenda pena. Porque criança, quando diz o que pensa e o que vai no seu coração, é de uma originalidade incrível. Criam histórias e teorias, inventam modas e palavras, dizem as coisas mais doces e mais loucas. E as mais hilárias, com certeza, porque têm uma lógica toda sua. Pra quem é capaz de parar e ouvir de verdade, é um deleite como nenhum outro.

Mas é engraçado isso: ninguém quer ouvir muito. Uns porque não têm saco mesmo (bocós, não sabem o que estão perdendo); outros, mais esquisito ainda, porque querem falar mais que o petiz. É de endoidecer. Perguntam coisas pra criancinha, mas enquanto ela está lá tentando articular uma resposta, selecionando palavras e coordenando a dura arte da expressão vocal, eles já entram de sola com a resposta pronta. Ou com a tiradinha. Ou com qualquer nova pergunta ou explanação, sem nem ligar.

Daí qualquer criança normal perde logo a linha de raciocínio e aquele pensamento tão legal que sairia da boquinha se perde também. Bom seria se essa gente grande, tão cheia de si, calasse um pouco a própria boquinha e aguçasse mais os ouvidinhos. Como criança mesmo faz, mas a gente não nota. E não escuta.

13 comentários:

Spaf disse...

Eu sempre tento escutar, mas nem sempre entendo o que meu sobrinho fala hahahahaha
Aí dá pra no máximo concordar com o que quer que ele tenha falado.

A Sócia da Light disse...

Acredita, Spaf: já é excelente!! E bem acima da média dos ouvintes. Sem falar que pequenininhos parecem AMAR até quando arrulham qualquer coisa e a gente diz "verdade??".
:-]

Gabi Petrucci disse...

Não aguentei esse final de semana. Estávamos em frente a minha casa, aí chegou minha vizinha de 4 anos com uma máscara pink. Aí minha mãe: "de quem você ganhou essa máscara, Lara?", então ela olhou com a maior cara de "tava esperando você perguntar" e respondeu: "ah, tia, foi daquela menina que é irmã da outra, sabe?".
Foi fofo demais!
ADORO conversar com as crianças, encho de perguntas, só pra ouvir o jeitinho que eles tem de falar!

Beijo, Flá!

mihuda disse...

Nossa, acho criança a coisa mais legal do mundo. Elas são incríveis. Tenho milhões de lembranças de minha irmã caçula. Um dia, ela irritada com meu tio - que sempre adorou testar a paciência de minis seres humanos - soltou um alto e claro: NO MI TOPURDA... que em lingua de Cau significava, NÃO ME PERTURBA!
Quem não ouve, não tem idéia do que esta perdendo!!!

Dri_ disse...

Tabefe! Tabefe! Tabefe!

na cara de muita gente, viu! Muita gente!



E eu fico irada qunado a criança conversa e o outro fala bem alto com ela: Eu não to entendendo nada que vc tá falando!

Beolina disse...

Eu tenho dois sobrinhos emprestados e converso bastante com eles! Quase me dá vontade de ter os meus próprios...
Outro dia eu tava na casa de um deles e a vó falou pra ele me contar como tinha sido na praia (que ele tinha ido no dia anterior).. achei tão fofo que ele começou a fazer "sshhhhhshhhhh... shhhhh... shhh.." e a vó "não, Di, fala pra ela como foi na praia!" e ele ainda no "shhh... ". A vó se irritou e disse que ele agora tava assim, "na idade de fingir que não ouve quando alguém fala com ele. Teimooooso...". Eu então perguntei se aquele era o barulho do mar e ele abriu o maior sorrisão! Eu prossegui perguntando se a onda então fazia "tchibum!", ele gostou e começou a repetir e em dois minutos tava me contando do mergulho que deu com o pai e me mostrando todos os baldes e pás que ele tinha levado pra praia e como tinha feito castelos e brincado na areia... enfim, o coitado só queria alguém que se dispusesse a entendê-lo!

Nanael Soubaim disse...

Ser somente genitor e se fazer de parede para o que seus reizinhos falam é mais confortável, evita envolvimentos. Ser mãe ou pai dá muito mais trabalho do que a maioria se dispõe a aceitar.

Fabiana disse...

Um dia a gente põe a Clarice e suas teorias mirabolantes sobre o mundo e a sua criação junto com a Sabrina numa num papo via webcan e grava isso, lança um documentário sobre a cosmologia infantil e ganha um Oscar. Porque eu tô pra conhecer criança que fala mais do que a minha. Eu ouço sempre, pacientemente.

Sério.

Respondo todas as perguntas, mas a fase dos porquês dela começou antes dos 2 anos e parece que nunca vai terminar. Agora a mania dela é poergunar o que significa "daqui a pouco" ou "um instante". Posso com isso?

Josiane disse...

Se tem coisa q adoro são niños.
Praticamente criei 4 irmãos mais novos, além de ter uma sobrinha.
É tão gostoso quando vc presta atenção neles. Eles gostam tanto q sem querer se recebe respeito e admiração.
Agora só falta vivenciar os meus. Tô querendo muito.

Mari Z. disse...

Nossa, parar pra ouvir teorias infantis é uma das coisas mais divertidas e fascinantes que existem. é aí que dá pra perceber que, realmente, os macaquinhos no sótão dos pequenos existem e estão em plena atividade. Claro, nem sempre essas divagações vêm na hora certa, e vou confessar que quando estou dirigindo/tentando equilibrar caixas/fazendo qualquer atividade que envolva o mínimo de concentração fica difícil prestar atenção, hehe. Mas gente que ignora sumariamente o que os pequenos têm a dizer é feio, chato e bobo! :-)

carlosrubens disse...

Gente, que momento bacana!!
Sem querer, caí nesse blog de nome engraçadinho. Qdo dei por mim, percebi que a escriba foi a responsável, por muito tempo, de minha primeira leitura diária, em um outro blog, porém já falecido. rsrs.
Ótimo ter seus textos de volta! Saudades de ler a palavra "petiz". rsrsr.
Um grande abraço!

A Sócia da Light disse...

Oi, Carlos! Que bom que achou essa "nova humilde casa"! Volte sempre e fique à vontade, viu?

Beijos!

Flá (always Wonka)

A Sócia da Light disse...

Fabi, demorei a responder, mas... é só marcar o encontro de Matracas, viu? ;-]